Agricultor de Maracaju substitui soja por sorgo e obtém lucro 85% maior após estiagem
Agricultor troca soja por sorgo e lucra 85% mais em MS

Agricultor de Maracaju substitui soja por sorgo e obtém lucro 85% maior após estiagem

Em uma decisão ousada que está transformando o cenário agrícola regional, o agricultor Valdemir Portela abandonou o cultivo tradicional de soja e optou pelo sorgo em 270 hectares de sua fazenda em Maracaju, Mato Grosso do Sul. A mudança radical ocorreu após cinco safras consecutivas com prejuízos significativos causados pela estiagem persistente no mês de janeiro, que prejudicava lavouras que inicialmente apresentavam bom desenvolvimento.

O desafio climático e a busca por alternativas

Valdemir Portela explicou que o problema recorrente era a falta de chuva no início do ano, um fenômeno que tem se tornado mais frequente devido à irregularidade das precipitações e eventos climáticos extremos. "O ano passado eu sugeri: 'o que a gente acha de substituir a soja por um sorgo?' No primeiro momento foi loucura, aí depois a gente viu que poderia ser uma ferramenta boa", relatou o produtor rural.

O sorgo, tradicionalmente plantado no inverno, começou a ocupar áreas que antes eram dedicadas exclusivamente à soja no verão. Essa transição representa uma quebra de paradigma na agricultura da região, onde a soja sempre foi a base do cultivo de verão, seguida pelo milho na segunda safra.

Crescimento exponencial do sorgo em Mato Grosso do Sul

De acordo com dados da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja-MS), o estado registra aproximadamente 400 mil hectares de sorgo atualmente. Este número representa um crescimento impressionante de 7.700% nos últimos cinco anos, demonstrando uma tendência crescente entre os agricultores locais.

Valdemir enfrentou desafios técnicos significativos com a mudança. "Foi um desafio, porque plantar sorgo depois do milho significa duas gramíneas seguidas. A gente conseguiu cuidar bem da lavoura, tratamos as sementes e usamos produtos para impedir que plantas daninhas crescessem", detalhou o agricultor.

Resultados financeiros surpreendentes

Os resultados econômicos foram notáveis: a lavoura de sorgo desenvolveu-se bem e gerou um lucro de aproximadamente R$ 2.400 por hectare. Em comparação, a soja cultivada na mesma área rendeu, em média, apenas R$ 1.300 por hectare - uma diferença de 85% a favor do sorgo.

Além da vantagem financeira imediata, o sorgo apresenta múltiplos usos que ampliam suas possibilidades de mercado. Além de servir tradicionalmente para alimentação animal, a cultura passou a ser utilizada na produção de etanol, abrindo novas frentes comerciais para os produtores.

Garantia de venda e planejamento estratégico

Valdemir já garantiu a venda de sua produção antes mesmo da colheita, negociando a R$ 45 por saca com uma indústria localizada no próprio Mato Grosso do Sul. O agricultor acredita que o sorgo deve permanecer como alternativa estratégica em seu planejamento agrícola.

"O sorgo pode permanecer na lavoura por até duas safras antes da volta da soja, ajudando a reduzir riscos em anos de pouca chuva", explicou Portela, demonstrando um planejamento de longo prazo para enfrentar as incertezas climáticas.

Teste em escala reduzida e manutenção da soja

É importante destacar que, por enquanto, a área com sorgo corresponde a uma pequena parte de teste na fazenda de Valdemir. Na safra de verão, a principal cultura continua sendo a soja, indicando que a transição está ocorrendo de forma gradual e calculada.

Esta experiência pioneira em Maracaju serve como exemplo para outros agricultores da região que enfrentam desafios similares com as mudanças climáticas. A adaptação das práticas agrícolas às novas realidades meteorológicas mostra-se não apenas possível, mas também financeiramente vantajosa quando bem planejada e executada.