Veículos da Assembleia de Goiás com giroflex podem ser apreendidos por ilegalidade
Veículos da Alego com giroflex podem ser apreendidos

Veículos da Assembleia de Goiás com giroflex podem ser apreendidos por ilegalidade

A frota de veículos recebida pela Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego) está no centro de uma polêmica em Goiânia devido ao uso de giroflex, equipamento luminoso que, segundo o Departamento Estadual de Trânsito (Detran) de Goiás, não é autorizado para parlamentares ou veículos particulares. O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) estabelece regras claras sobre quem pode utilizar essas luzes, e a situação atual pode resultar em penalidades severas.

O que diz o Código de Trânsito Brasileiro

De acordo com o CTB, o uso de giroflex é permitido exclusivamente para veículos destinados a socorro de incêndio, salvamento, polícia, fiscalização, operação de trânsito e ambulâncias. O presidente do Detran-GO, Waldir Soares, destacou que a Alego solicitou placas vinculadas ao órgão para evitar autuações, mas a Procuradoria-Geral do Estado negou o pedido. “Com essa nova frota, me parece que a instalação desses equipamentos é uma forma de suprir essa recusa que foi feita”, afirmou Waldir em entrevista à TV Anhanguera.

Justificativas da Alego e lacunas legais

O assessor jurídico da Polícia Legislativa, Marcos de Bastos, explicou que os veículos são utilizados por autoridades e que o objetivo das luzes é identificar os carros, além de serem usadas apenas em situações eventuais de risco. “Há uma lacuna que faz com que não ampare esses veículos, mas é necessário [...]. São muitas autoridades que utilizam, mesmo não tendo amparo, porque precisam e é necessário para fins de segurança”, declarou Marcos. No entanto, essa justificativa não encontra respaldo explícito na legislação vigente.

Riscos e penalidades previstas

O artigo 230 do CTB classifica o uso não autorizado de giroflex como infração grave, com consequências significativas:

  • Multa de R$ 195,23
  • Cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH)
  • Possível apreensão do veículo para regularização

A frota da Alego é composta por 42 veículos, e não está claro se todos estão sendo usados por deputados ou pela Polícia Legislativa, que tem autorização para o equipamento segundo o Detran. O g1 tentou contato com a Alego para esclarecimentos, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.

Contexto da polêmica

Esta situação surge em um momento em que a Alego já enfrenta críticas, como a compra de 42 carros de luxo que custaram mais de R$ 15 milhões, além de casos de golpes em concursos e operações policiais envolvendo fraudes de impostos. A discussão sobre o uso de giroflex reflete questões mais amplas de transparência e conformidade legal na administração pública.

Enquanto isso, a população de Goiânia e do estado acompanha atentamente o desenrolar deste caso, que pode servir como precedente para outras instituições públicas. A falta de uma resposta oficial da Alego deixa dúvidas sobre a regularidade das práticas adotadas e os próximos passos das autoridades de trânsito.