
Eis que Taubaté entra no mapa das discussões acaloradas sobre o futuro dos espaços públicos. Numa jogada que pegou muitos de surpresa, o prefeito José Antônio Saudade sancionou nesta sexta-feira (29) a lei que basicamente entrega as chaves do Parque do Itaim para a iniciativa privada.
Não, não é exatamente uma venda — tecnicamente falando. Mas a tal da concessão por 25 anos? Meio que dá no mesmo, não dá? O poder público passa o bastão, e empresas assumem o comando total da operação, manutenção e, claro, da monetização do lugar.
O que muda na prática para o frequentador?
Tudo. Ou quase tudo. A prefeitura garante que o acesso vai continuar gratuito, mas... sempre tem um mas. A gestão privada pode — e vai — cobrar por serviços extras: estacionamento, quiosques, alimentação, eventos temáticos. Aquela feijoada de domingo? Pode virar produto pago. O banheiro limpinho? Talvez precise de uma moedinha.
E olha, não é como se o parque estivesse abandonado. Longe disso. Mas a justificativa oficial é de que a parceria vai trazer "eficiência, modernização e novos investimentos". Será? A gente sabe como essas histórias costumam terminar: o lucro fala mais alto, e o interesse público vai escorrendo ralo abaixo.
E o que a galera tá achando disso?
Bom, a Câmara aprovou. Onze votos a favor, três contra. Mas nas redes sociais o buraco é mais embaixo. Tem gente comemorando a promessa de mais segurança e estrutura. Outros já veem a sombra da gentrificação — o espaço público, que era de todos, virando um produto com preço.
E os funcionários públicos que trabalham lá? Esses, coitados, foram garantidos que não serão demitidos. Vão ser realocados para outras secretarias. Mas convenhamos: trocar de função assim do nada não deve ser fácil.
O parque, que hoje é administrado pela Secretaria de Meio Ambiente, vai virar um negócio. Literalmente. A partir de agora, é ligar o modo "esperar para ver". Será que vai dar certo? Será que o acesso realmente vai se manter livre? Só o tempo — e a ganância do mercado — vão dizer.