Samarco investe R$ 13,8 bilhões para retomar produção total até 2028 sem barragens
A mineradora Samarco está se preparando para entrar na terceira e última fase de retomada, com o objetivo de alcançar 100% da capacidade produtiva até 2028. Esse processo gradual começou em 2020, cinco anos após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), um evento que o presidente Rodrigo Vilela afirma nunca será esquecido. A empresa tem enfatizado uma abordagem mais segura, responsável e sustentável, marcando uma virada operacional significativa.
Mudanças operacionais e investimentos robustos
Desde a primeira etapa da retomada, a Samarco optou por operar sem o uso de barragens de rejeitos, uma decisão considerada crucial para sua transformação. Em dezembro de 2024, a companhia atingiu 60% da capacidade produtiva instalada, após investir cerca de R$ 732 milhões na fase inicial e R$ 1,6 bilhão na segunda etapa. Agora, com um investimento em curso de R$ 13,8 bilhões, a empresa projeta concluir a retomada, revitalizando plantas em Germano (MG) e Ubu (ES), e implantando novas tecnologias de filtragem de rejeitos.
Impacto econômico e social da retomada
Ao final do processo, a Samarco espera retornar à capacidade pré-2015, produzindo entre 26 e 27 milhões de toneladas de pelotas de minério de ferro por ano, posicionando-se como a segunda maior exportadora mundial. Além do volume, a empresa destaca a geração de valor social, com a criação de até 12.900 postos de trabalho até 2031, incluindo empregos diretos e contratados. A Samarco também prioriza a contratação local e a inclusão de grupos sub-representados, como mulheres, pessoas com deficiência e negros, reforçando seu compromisso com diversidade e desenvolvimento regional.
Reparação e transformação pós-tragédia
O rompimento da barragem provocou uma reflexão profunda sobre o propósito da Samarco, levando a empresa a adotar um modelo de mineração mais seguro e sustentável. Vilela ressalta que a reparação definitiva dos danos causados permanece entre as prioridades, com ações que se estendem até 2039 para monitoramentos ambientais na Bacia do Rio Doce. O Novo Acordo do Rio Doce, firmado em 2024, trouxe avanços como a conclusão dos reassentamentos e a ampliação do acesso a indenizações, visando melhorar as condições socioeconômicas da região.
Futuro da mineração no Brasil
Rodrigo Vilela enxerga a mineração como essencial para a transição energética e o desenvolvimento sustentável, destacando o potencial do Brasil em transformar o setor em uma alavanca de progresso. Ele acredita que, com responsabilidade e inovação, é possível reescrever a história da mineração, inspirando-se em exemplos de países como Austrália e Canadá, onde os recursos minerais contribuem para educação e infraestrutura.
A Samarco continua comprometida com a reconstrução de relações e a execução integral dos acordos de reparação, assegurando que a tragédia de Mariana sirva como um marco para uma mineração mais ética e resiliente.



