Procuradora de Roraima, esposa de Alexandre Ramagem, acumula 96 dias de afastamento do trabalho
A procuradora do Estado de Roraima, Rebeca Teixeira Ramagem Rodrigues, está há 96 dias sem trabalhar e terá que justificar administrativamente um período de 45 dias de ausência, conforme informações divulgadas pela Procuradoria-Geral do Estado de Roraima (PGE-RR). O afastamento começou em 17 de novembro de 2025, quando ela iniciou um período de férias que deveria terminar em 28 de novembro do mesmo ano, mas desde então não retornou às suas funções.
Ausências não amparadas por licenças oficiais
De acordo com a PGE-RR, somando férias, prorrogações, recesso forense e afastamentos não reconhecidos oficialmente, a procuradora permanece fora do trabalho há 96 dias, até esta sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026. Existe um período em aberto, entre 7 de janeiro e 20 de fevereiro de 2026, totalizando 45 dias, que não está coberto por férias, recesso ou licença médica válida, necessitando de justificativa interna.
Conexão com o ex-deputado foragido Alexandre Ramagem
Rebeca é esposa do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), que teve o mandato cassado e segue foragido nos Estados Unidos. Em 23 de novembro de 2025, ela publicou nas redes sociais sobre a fuga da família para os Estados Unidos, afirmando que deixou o Brasil para "proteger a família". A situação conjugal tem sido um ponto de atenção nas investigações e nos desdobramentos administrativos.
Tentativa de licença médica e perícias não realizadas
Após o recesso forense, que ocorreu de 20 de dezembro de 2025 a 6 de janeiro de 2026, Rebeca apresentou um atestado médico solicitando licença de 60 dias, a partir de 22 de dezembro. No entanto, a PGE-RR não reconheceu o documento porque a procuradora faltou a duas perícias médicas presenciais agendadas para validação da licença. A Secretaria de Gestão Estratégica e Administração (Segad) explicou que Roraima não possui lei ou estrutura técnica para realizar avaliações de capacidade de trabalho online, exigindo a presença física.
Controvérsias sobre teletrabalho e alegações de perseguição
Em um vídeo publicado nas redes sociais nesta quarta-feira, 18 de fevereiro, Rebeca Ramagem alegou ser vítima de perseguição política, afirmando que o governo estadual negou a realização de sua perícia por telemedicina e suspendeu seu regime de teletrabalho de forma arbitrária. A PGE-RR respondeu que Rebeca não atua em regime remoto há mais de cinco anos, com o teletrabalho cancelado em agosto de 2020 a pedido da própria servidora, quando ela solicitou transferência definitiva para a unidade da PGE em Brasília (DF), exigindo atuação presencial.
Regras de teletrabalho em revisão
A procuradora também reclamou de uma suposta quebra de igualdade, dizendo que um terço dos procuradores de Roraima trabalha remotamente. A PGE justificou que as regras gerais do teletrabalho estão em revisão normativa e, desde dezembro de 2025, novos pedidos de adesão ao sistema foram suspensos para todos os procuradores, negando qualquer suspensão recente específica para Rebeca.
O caso continua sob análise administrativa, com a procuradora enfrentando a necessidade de justificar suas ausências prolongadas enquanto permanece fora do país com o marido foragido. As autoridades de Roraima reforçam o cumprimento dos procedimentos legais e a transparência nas ações envolvendo servidores públicos.



