
Eis que surge mais um capítulo nebuloso na administração pública paulista. Desta vez, o foco recai sobre municípios do interior que, pasmem, mantêm vínculos contratuais com empresas cujos quadros societários apresentam — como diriam — "certas peculiaridades".
Não é de hoje que a má-fé parece circular pelos corredores do poder. Contudo, o que choca é a naturalidade com que alguns contratos são firmados, ignorando bandeiras vermelhas que saltam aos olhos de qualquer um que se dê ao trabalho de checar.
O cerne da questão
Detalhes apurados indicam que diversas empresas, algumas com histórico mais que duvidoso, conseguiram fechar acordos milionários com as prefeituras. E o pior? Tudo dentro da "legalidade". Será?
Parece que o jogo de esconde-esconde societário virou moda. Pessoas com nomes em listas de impedidas, sócios ocultos, mudanças repentinas de controle — tudo isso aparece nos registros, mas some na hora da assinatura do contrato.
Municípios envolvidos: a lista não é pequena
Embora não sejam todos, várias cidades estão nessa roda-viva. Algumas maiores, outras nem tanto, mas todas com um ponto em comum: a falta de due diligence básica na hora de escolher seus parceiros comerciais.
- Sorocaba
- Jundiaí
- Outras cidades da região
O que me deixa pensativo: como é possível que tantos escândalos surjam e nada mude? A sensação é de dejà vu, só que cada vez pior.
As tais "irregularidades"
Não estamos falando de meros erros de preenchimento de documento. São situações graves, do tipo que deveriam acionar todos os alarmes possíveis:
- Sócios com passado em empresas condenadas por fraudes em licitações
- Mudanças societárias realizadas poucos dias antes da disputa do edital
- Uso de laranjas e interpostas pessoas para burlar a fiscalização
É ou não é para ficar de cabelo em pé?
E as consequências?
Até agora, mais do mesmo: investigações que se arrastam, promessas de apuração e, no final, a impunidade como regra. Enquanto isso, o erário público sangra e a população paga a conta — literalmente.
Alguns gestores se defendem alegando que seguiram a lei à risca. Outros preferem o silêncio. Conveniente, não?
O fato é que essa prática não é nova, mas continua surpreendendo pela audácia. Até quando vamos aceitar isso como "normal"?
Restam dúvidas sobre o que será feito. Medidas precisam ser tomadas, e rápido, antes que mais recursos sejam desviados. A sociedade precisa acordar para essa realidade e cobrar mudanças efetivas.