Piracicaba enfrenta desperdício de mais de 50% da água tratada em vazamentos e rede precária
Piracicaba perde mais de 50% da água tratada em vazamentos

Piracicaba registra perdas alarmantes de água tratada com índice superior a 50%

Um relatório do Serviço Municipal de Água e Esgoto (Semae) de Piracicaba expõe uma situação crítica: mais da metade da água tratada na cidade se perde antes de alcançar as torneiras dos moradores. O documento aponta que os principais responsáveis por esse desperdício acima de 50% do volume são vazamentos persistentes, problemas estruturais na rede de distribuição e a falta de manutenção adequada. A Prefeitura de Piracicaba, diante desse cenário, estabeleceu metas no novo plano de saneamento para reduzir significativamente essas perdas nos próximos anos.

Moradores convivem com vazamentos e desconforto diário

A realidade do desperdício é palpável nas ruas da cidade. A moradora Benedita Irene de Carvalho, que possui uma loja, relata conviver há pelo menos duas semanas com um vazamento de água bem em frente ao seu estabelecimento. "Há esses buracos e esse esgoto que estourou. Fica 24 horas assim. É um cheiro horrível", desabafa. O engenheiro civil Luis Pereira critica a situação, destacando a contradição: "Com essa situação que a gente vive de falta de água o tempo todo, é complicado ver essa água jorrando". O problema não se restringe a Piracicaba; cidades da região como Corceirópolis, Iracemápolis, Rio das Pedras, São Pedro, Capivari e Santa Bárbara d'Oeste também apresentam índices de perdas de água tratada acima de 40%, conforme balanço do Consórcio PCJ.

Novo Plano Municipal de Saneamento Básico prevê investimentos de R$ 1,85 bilhão

O novo Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB) de Piracicaba, oficializado no Diário Oficial em 27 de fevereiro, traça um caminho de investimentos massivos ao longo de 30 anos, de 2026 a 2055, totalizando aproximadamente R$ 1,85 bilhão. O plano estabelece diretrizes e metas para a universalização e melhoria contínua dos quatro eixos do saneamento:

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  • Abastecimento de água
  • Drenagem urbana e manejo de águas pluviais
  • Esgotamento sanitário
  • Limpeza urbana com manejo de resíduos sólidos

A maior fatia dos recursos, R$ 1,097 bilhão (59,26% do total), será destinada ao abastecimento de água. A drenagem urbana receberá R$ 673 milhões (36,39%), enquanto o esgotamento sanitário contará com R$ 59 milhões (3,22%). A limpeza urbana terá apenas R$ 20 milhões (1,13%), justificado pela concessão do serviço à iniciativa privada. O período de médio prazo (2030-2033) concentrará 43,3% dos investimentos, financiados pelo orçamento municipal e tarifas.

Metas ambiciosas para reduzir perdas e melhorar infraestrutura

No abastecimento de água, embora o município já atinja 100% de cobertura, o foco será na manutenção da infraestrutura e aumento da eficiência. A meta principal é reduzir o índice de perdas na distribuição, atualmente em cerca de 40%, para 25% ou menos até 2055. Ações incluem a substituição de aproximadamente 869 quilômetros de redes obsoletas e a modernização das Estações de Tratamento de Água (ETAs). No entanto, o plano não menciona a construção de represas, estratégia apontada por especialistas para segurança hídrica.

Para a drenagem urbana, o segundo maior investimento visa combater o histórico de inundações. A meta é garantir que 100% dos domicílios urbanos estejam seguros contra enchentes até 2044. Medidas incluem a elaboração de um plano diretor e inspeções anuais de 100% das redes.

No esgotamento sanitário, já com 100% de abrangência, prevê-se a desativação de estações de tratamento de esgoto de baixa eficiência e ações para evitar infiltrações de águas pluviais. Para resíduos sólidos, o plano busca ampliar a coleta seletiva – que em 2018 atendia apenas 7% dos domicílios – e aumentar os índices de reciclagem, com parcerias com cooperativas e expansão do aterro sanitário.

O PMSB representa um esforço estrutural para enfrentar décadas de negligência, mas sua implementação dependerá de execução rigorosa e monitoramento constante para reverter o cenário de desperdício e melhorar a qualidade de vida em Piracicaba.

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