Obra da COP 30 em Belém é entregue após polêmicas ambientais e investimento de R$ 253 milhões
Obra da COP 30 em Belém entregue após polêmicas ambientais

Obra da COP 30 em Belém é entregue após polêmicas ambientais e investimento de R$ 253 milhões

A rua da Marinha, um dos projetos de infraestrutura previstos no cronograma da Conferência das Partes (COP 30), foi oficialmente entregue nesta quinta-feira, 19 de junho, em Belém, capital do Pará. Apesar de fazer parte dos investimentos para o evento mundial sobre mudanças climáticas, a entrega ocorre cerca de cinco meses após a realização da conferência na cidade, que aconteceu em novembro de 2025. O investimento total da obra atingiu a cifra de R$ 253 milhões, em uma parceria entre o Governo do Estado do Pará e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Características e benefícios da nova via

A via possui quase 3,4 quilômetros de extensão e promete beneficiar diretamente mais de 200 mil pessoas, conectando as movimentadas avenidas Augusto Montenegro e Centenário no bairro da Marambaia. Até então, apenas uma parte da rua estava com o tráfego liberado. Com duas pistas de mão dupla, cada uma contando com três faixas, a estrutura inclui um canteiro central que recebeu o plantio de aproximadamente 260 árvores, além de playground, academia ao ar livre, ciclofaixa, novas redes de drenagem e calçadas acessíveis. A expectativa é que a via reduza significativamente os congestionamentos na região, com capacidade para absorver um volume superior a 20 mil veículos por dia.

Histórico de controvérsias e embates judiciais

Mesmo com a proposta de melhoria à mobilidade urbana, o projeto da nova rua da Marinha foi marcado por polêmicas ao longo da execução, especialmente de cunho ambiental. Em novembro de 2024, a Justiça chegou a determinar a paralisação da duplicação da via. A decisão atendeu a uma ação civil pública movida pelo Ministério Público do Pará (MPPA), que questionava a ausência de licença ambiental emitida pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma).

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A Semma já havia negado o licenciamento anteriormente, alegando que o empreendimento invadia os limites do Parque Ecológico Municipal Gunnar Vingren. Segundo o órgão municipal, a obra causaria supressão vegetal, retirada de animais silvestres e impactos negativos na flora, fauna e olhos d’água da região. O Governo do Pará, responsável pela obra e que havia obtido licenças da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), argumentou que a atribuição para o licenciamento seria estadual, mas a Justiça considerou a Semma como o órgão competente para a emissão das licenças.

Outro ponto de atrito ocorreu ainda em maio de 2024, quando o governo revogou uma licitação inicial para um dos trechos do projeto, após críticas públicas de que a obra passaria dentro do parque ambiental. Apesar das controvérsias, a estrutura final conta com passagens subterrâneas de fauna, medidas mitigadoras para reduzir os impactos ambientais.

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