MP-MA pede aumento de subsídio para ônibus em São Luís e ação judicial busca regularizar transporte
MP-MA pede aumento de subsídio para ônibus em São Luís

MP-MA solicita aumento imediato de subsídio para empresas de ônibus em São Luís

O Ministério Público do Maranhão (MP-MA) protocolou uma Ação Civil Pública nesta sexta-feira, dia 6, contra a Prefeitura de São Luís, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros (SET), consórcios operadores e empresas de ônibus. A medida judicial busca regularizar urgentemente o sistema de transporte coletivo da capital maranhense, que enfrenta uma greve de rodoviários há oito dias consecutivos.

Valor do subsídio é considerado insuficiente

Atualmente, o município paga um subsídio de R$ 1,35 por passageiro às empresas de ônibus. O MP-MA argumenta que esse valor é insuficiente para cobrir os custos operacionais do sistema e solicita o aumento imediato em R$ 0,80, elevando o total para R$ 2,15 por passageiro a partir de fevereiro de 2026. Em contrapartida, o órgão ministerial exige que as empresas introduzam 100 novos ônibus no sistema dentro de seis meses e retirem de circulação veículos com mais de dez anos de fabricação.

Greve persiste mesmo após decisão judicial

A paralisação dos rodoviários do sistema urbano completou oito dias nesta sexta-feira, sem que nenhum ônibus retornasse às ruas de São Luís. Essa situação persiste mesmo após o Tribunal Regional do Trabalho (TRT-16) determinar o fim da greve e aplicar multas às empresas. O TRT-16 informou que adotará medidas de bloqueio de bens contra as empresas de ônibus devido ao descumprimento do acordo coletivo.

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De acordo com relatos, os trabalhadores compareceram às garagens, mas encontraram os portões fechados, impedindo a circulação dos veículos. Apenas os ônibus do sistema semiurbano estão operando na Grande Ilha, mas sem acesso aos terminais de integração, o que causa transtornos adicionais aos passageiros.

Problemas estruturais no transporte coletivo

O MP-MA destacou que o sistema de transporte de São Luís sofre com problemas estruturais recorrentes, incluindo paralisações frequentes nos últimos anos, especialmente durante períodos de reajuste salarial. A ação cita uma auditoria da Controladoria-Geral do Município, realizada em fevereiro de 2023, que apontou o não cumprimento da maioria das obrigações contratuais pelas concessionárias.

Além disso, o órgão ministerial ressaltou que a população tem sido prejudicada com longos congestionamentos, aumento no uso de transporte individual e tarifas elevadas em aplicativos de mobilidade. Sete secretários já passaram pela Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT) sem solucionar as questões crônicas do setor.

Reajuste salarial e benefícios mantidos

O TRT-16 determinou um reajuste salarial de 5,5% para os rodoviários do sistema urbano, alinhando-o ao concedido para o sistema semiurbano. Esse aumento representa aproximadamente R$ 151 no salário e pouco mais de R$ 49 no tíquete-alimentação, elevando a média salarial bruta para cerca de R$ 2.900, além de R$ 900 em vale-alimentação.

Foram mantidos os seguintes benefícios:

  • Plano de saúde e odontológico
  • Seguro de vida
  • Exame toxicológico
  • Ticket nas férias

No entanto, a categoria considera o reajuste insuficiente, citando acúmulo de funções, atrasos no pagamento de salários e condições de trabalho inadequadas como motivos para a continuidade da paralisação.

Envolvimento de múltiplas instituições

Além do MP-MA, o Ministério Público do Trabalho (MPT-MA) anunciou que tomará medidas para garantir o cumprimento da decisão judicial, podendo inclusive requisitar o uso de força policial e responsabilizar pessoalmente os envolvidos no descumprimento. O procurador Regional do Trabalho, Maurício Pessoa, enfatizou que as medidas conciliatórias já se esgotaram e que o acordo não está sendo respeitado.

O Sindicato das Empresas de Transporte de São Luís atribui a crise à falta de aumento nos subsídios municipais, enquanto a Prefeitura afirma que o retorno às atividades depende exclusivamente dos trabalhadores, uma vez que a decisão judicial já foi proferida.

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Próximos passos e decisão judicial

Agora, cabe ao Poder Judiciário analisar os pedidos apresentados na Ação Civil Pública e determinar se as medidas solicitadas pelo MP-MA serão implementadas. A decisão judicial deve ser anunciada ainda nesta sexta-feira, podendo incluir a realização de uma perícia judicial para apurar o custo real do serviço de transporte coletivo e embasar futuras definições sobre tarifas e subsídios.

Enquanto isso, a população de São Luís continua enfrentando dificuldades de mobilidade, com impactos significativos no deslocamento diário e na economia local, aguardando uma solução definitiva para a crise no transporte público.