Governo demite presidente do INSS com fila de espera superior a 2,5 milhões de pessoas
Demissão do presidente do INSS com fila de 2,5 milhões

Governo federal demite presidente do INSS em meio a crise de atendimento

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta segunda-feira, 13 de março, a demissão de Gilberto Waller da presidência do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A decisão ocorre em um momento crítico para a autarquia, que enfrenta uma fila de espera monumental com mais de 2,5 milhões de brasileiros aguardando análise de seus benefícios previdenciários.

Onze meses de gestão marcados por desafios estruturais

Gilberto Waller permaneceu exatos onze meses no cargo, tendo assumido a presidência do INSS no final de abril de 2025. Sua nomeação ocorreu após um dos maiores escândalos da história da Previdência Social, quando o então presidente Alessandro Stefanutto foi afastado por ordem judicial e posteriormente demitido sob suspeita de receber propinas de um esquema criminoso de descontos irregulares.

Stefanutto encontra-se preso desde novembro de 2025, enquanto investigações da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União apontam que o esquema pode ter desviado mais de R$ 6 bilhões através de descontos associativos não autorizados pelos beneficiários, com operações iniciadas em 2019.

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A batalha contra a fila histórica do INSS

Além de herdar a crise dos descontos ilegais, Waller enfrentou o desafio crônico das filas de atendimento. Quando assumiu a presidência em abril de 2025, o instituto registrava 2,6 milhões de pedidos acumulados aguardando análise. Esse número cresceu para mais de 3 milhões em dezembro do mesmo ano, recuando para aproximadamente 2,8 milhões em março de 2026.

Dados oficiais do INSS revelam que apenas no mês de março, a média diária de novos pedidos chegou a 61 mil solicitações, criando um fluxo contínuo que exige capacidade analítica superior à entrada de novas demandas para que haja redução sustentada do estoque acumulado.

Mudança de comando e nova estratégia

O tamanho da fila foi um dos principais argumentos utilizados pelo Ministério da Previdência Social para justificar a substituição na presidência do INSS. A decisão surpreendeu Waller, que havia anunciado recentemente a redução da fila de espera e mantinha relação direta com o presidente Lula, reportando-se pessoalmente ao chefe do Executivo em vez do ministro Wolney Queiroz.

Segundo fontes do governo, o ministro da Previdência conseguiu convencer Lula sobre a necessidade de um gestor com maior expertise no sistema previdenciário, resultando na mudança de comando. Em nota oficial, o ministério destacou que a nova presidente assume com a missão estratégica de acelerar a análise de benefícios e simplificar processos internos.

Nova presidente assume com experiência no sistema

No lugar de Gilberto Waller, assume a presidência do INSS Ana Cristina Viana Silveira, servidora pública desde 2003 com trajetória consolidada na Previdência Social. Ela ocupou anteriormente a presidência do Conselho de Recursos da Previdência Social e a secretaria executiva adjunta do Ministério da Previdência, cargos que lhe proporcionaram conhecimento profundo do sistema.

A transição ocorre em um momento delicado para milhões de brasileiros que dependem dos serviços do INSS, enquanto o governo busca soluções para um dos maiores desafios administrativos da atual gestão federal.

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