Contrato de plano de saúde em Manaus tem valor mais que dobrado após aditivos
Contrato de saúde em Manaus mais que dobra após aditivos

Contrato de plano de saúde em Manaus tem valor mais que dobrado após aditivos

O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), afirmou que o aumento no valor do contrato da Prefeitura de Manaus com a operadora Hapvida está diretamente relacionado ao crescimento no número de servidores atendidos pelo plano de saúde. A declaração foi feita antes da abertura dos trabalhos legislativos de 2026 da Câmara Municipal de Manaus (CMM), nesta segunda-feira (9).

Valor do contrato sobe de R$ 45 milhões para R$ 119 milhões

A alegação ocorre após documentos obtidos pela Rede Amazônica indicarem que a Prefeitura de Manaus renovou o contrato com a operadora Hapvida por um valor significativamente superior ao ofertado durante o processo de licitação. O valor, que deveria ser de R$ 45 milhões, foi para R$ 119 milhões em 2026, após uma manobra no pregão eletrônico e o acréscimo de aditivos contratuais.

Almeida, no entanto, não explicou detalhadamente o motivo desta alteração após o encerramento do processo de licitação. Ao comentar a renovação do contrato, David Almeida disse que a contratação foi firmada inicialmente por cerca de R$ 109 milhões, após licitação, com previsão de atendimento a 32 mil servidores.

Aditivos contratuais e crescimento de beneficiários

Segundo o prefeito, o próprio contrato já previa a possibilidade de aditivos conforme o aumento no número de beneficiários, com acréscimos a cada mil novas vidas incluídas. Os documentos, no entanto, mostram que o valor de R$ 108 milhões oferecido inicialmente pela Hapvida no processo de licitação, em 2024, foi reduzido após uma concorrente oferecer R$ 48 milhões para a prestação do serviço.

A concessionária de saúde venceu com o lance de R$ 45 milhões. Após o encerramento da licitação, uma decisão favorável no Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) permitiu que o contrato com a Hapvida retornasse ao valor de R$ 108 milhões originalmente proposto.

Ainda de acordo com o prefeito, atualmente o plano atende cerca de 47 mil servidores municipais. Com o crescimento no número de beneficiários e a aplicação de um aditivo de 10%, o valor total do contrato chegou a cerca de R$ 119 milhões para o ano de 2026.

Justificativa do prefeito e comparação de custos

Para justificar o valor final, David Almeida afirmou que o custo médio do plano é de aproximadamente R$ 211 por servidor, cálculo feito a partir da divisão do valor total do contrato pelo número de vidas atendidas. "No próprio contrato já estava previsto que nós tínhamos 32 mil vidas e que, a cada mil vidas, haveria um aditivo de crescimento", afirmou.

O prefeito também comparou o custo médio do plano com a contribuição paga pelos servidores, que varia entre R$ 68 e até R$ 1,2 mil, a depender da faixa salarial. Segundo ele, a média paga pela prefeitura coloca o plano contratado entre os mais baratos do país e tem ajudado a reduzir a demanda por atendimentos na rede pública municipal.

"Portanto, a média do plano de saúde contratado pela prefeitura é um dos mais baratos do Brasil e que tem ajudado a solucionar o problema de saúde do servidor municipal", concluiu.

Comparação com gastos anteriores

Segundo a Lei Orçamentária Anual do Município (LOAM), em 2024, foram gastos R$ 83 milhões com o Serviço de Assistência à Saúde dos Servidores Públicos de Manaus (ManausMed), que cuidava da gestão dos gastos de saúde dos servidores. O valor é 43% menor do que é pago hoje para a Hapvida, destacando um aumento significativo nos custos com saúde para os servidores municipais.