CGU inicia apuração disciplinar sobre ex-diretores do Banco Central ligados a Daniel Vorcaro
A Controladoria-Geral da União (CGU) deu início, nesta segunda-feira (23), a um procedimento administrativo disciplinar para investigar a conduta de servidores do Banco Central. A ação tem como foco apurar se os funcionários atuaram como consultores privados do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do extinto Banco Master, conforme apontado pela Polícia Federal.
Servidores sob investigação e prazos do processo
A investigação da CGU vai analisar minuciosamente os atos e decisões sob responsabilidade de Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de fiscalização do BC, e de Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária. O período sob escrutínio abrange desde 2019 até 2023. O processo disciplinar tem um prazo estabelecido de 60 dias para conclusão e pode resultar em sanções no serviço público, que variam desde advertências formais até a demissão dos servidores envolvidos.
Origem das investigações e vínculos com a Operação Compliance Zero
Em janeiro de 2026, o Banco Central já havia aberto uma sindicância interna para verificar possíveis irregularidades na atuação de Paulo Sérgio e Belline, o que levou ao afastamento temporário de ambos. Os resultados dessa investigação foram encaminhados à CGU, e os técnicos da Controladoria decidiram pela abertura do processo disciplinar. Paralelamente, a Polícia Federal utilizou as evidências coletadas pelo BC, somadas a informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro, para fundamentar a terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada no início de março.
Segundo as investigações da PF, foram encontradas:
- Conversas entre Vorcaro e os dois servidores do Banco Central.
- Documentos que sugerem a prestação de favores pessoais.
- Indícios de pagamentos irregulares.
Paulo Sérgio e Belline atualmente estão sob monitoramento com tornozeleiras eletrônicas, medida determinada pela Justiça.
TCU analisa atuação do BC na liquidação do Banco Master
Enquanto a CGU investiga a conduta individual dos servidores, a atuação institucional do Banco Central durante a liquidação do Banco Master foi submetida a auditoria pelo Tribunal de Contas da União (TCU). A análise foi solicitada pelo ministro Jhonatan de Jesus, que em dezembro de 2025 havia questionado uma possível precipitação da autoridade monetária.
Contudo, os técnicos do TCU concluíram que:
- Não foram identificadas impropriedades, omissões ou negligência por parte do BC.
- A decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master foi considerada medida imperativa, legal e tecnicamente fundamentada.
- A liquidação foi adotada de forma tempestiva, após o esgotamento das alternativas de recuperação e diante da insolvência e da possível prática de ilícitos pela instituição.
O processo ainda será levado ao plenário do TCU para deliberação final. As informações foram inicialmente divulgadas pelo jornal "O Estado de S. Paulo" e posteriormente confirmadas pela TV Globo, reforçando a transparência do caso.
Este caso evidencia a intersecção entre investigações de conduta individual e auditorias institucionais, destacando os mecanismos de controle e responsabilização no âmbito da administração pública federal. A CGU segue com seu papel crucial na apuração de possíveis desvios, enquanto o TCU valida a legalidade das ações do Banco Central em um dos episódios mais complexos do sistema financeiro recente.



