Ametista do Sul reinventa minas históricas como polo turístico subterrâneo
A cidade de Ametista do Sul, localizada no Norte do Rio Grande do Sul, está transformando seu passado minerador em uma promissora atração turística. As antigas minas de extração de ametista, que por décadas foram o sustento econômico da região, agora abrigam complexos turísticos subterrâneos únicos no Brasil e no mundo.
Da extração à experiência turística
Os espaços subterrâneos, escavados ao longo de anos de atividade garimpeira, foram completamente adaptados para receber visitantes. Restaurantes, museus temáticos e até piscinas aquecidas foram instalados nas galerias rochosas, criando uma experiência imersiva que encanta turistas de diversas partes do país.
Os corredores e salões, formados na rocha basalto e revestidos por cristais de ametista com milhões de anos, constituem o cenário principal dessa atração inovadora. "Hoje é o nosso ponto forte pela questão da exclusividade. Nenhum outro local, acredito que, no Brasil ou no mundo, consiga explorar o subterrâneo da maneira que fazemos aqui", explica Everson Cadena, diretor de um dos complexos turísticos.
Turistas percorrem longas distâncias
A singularidade da experiência tem atraído visitantes de várias regiões brasileiras. Um grupo de Poços de Caldas, em Minas Gerais, viajou mais de mil quilômetros especialmente para conhecer as minas adaptadas. "Embora tenha mina lá, a gente nunca teve a possibilidade de explorar. É uma sensação de conhecer as minas e imaginar como é a extração da ametista", relata o turista Leo Reis, encantado com a vivência.
Com aproximadamente sete mil habitantes, Ametista do Sul recebe milhares de visitantes anualmente, sendo que o turismo já representa cerca de 30% da economia municipal. O prefeito Gilmar da Silva destaca: "Será o grande potencial de desenvolvimento da nossa cidade. Temos uma história de extração e industrialização, mas precisamos caminhar para esse novo futuro".
Atrações complementares e eventos
Além dos destinos subterrâneos, a cidade oferece outras atrações relacionadas às pedras preciosas:
- Uma pirâmide esotérica na praça central, voltada para conexão espiritual e alinhamento energético com as pedras
- A Paróquia de São Gabriel, revestida com impressionantes 40 toneladas de ametista
Neste final de semana, ocorre mais uma edição da Expopedras, evento tradicional que reúne expositores de pedras, joias e representantes do setor turístico. A expectativa da organização é receber 60 mil visitantes, com movimentação financeira estimada em R$ 15 milhões.
"Atraímos todos os tipos de público, de escolares à terceira idade, e também no turismo de energias positivas", afirma Sílvio Poncio, presidente da Associação de Desenvolvimento Turístico de Ametista do Sul.
Expansão e reconhecimento internacional
A transformação das minas em atração turística tem gerado reconhecimento além das fronteiras nacionais. Visitantes estrangeiros começam a descobrir essa joia escondida no interior gaúcho, ampliando ainda mais o potencial econômico do município.
O modelo desenvolvido em Ametista do Sul serve como exemplo de como comunidades podem reinventar sua história econômica, transformando atividades extrativistas do passado em experiências turísticas sustentáveis para o futuro.



