Expedição 'Travessia das Águas' percorre Lago de Furnas para revelar impacto da pesca
O g1 Sul de Minas e a EPTV realizam, de 30 de março a 10 de abril, a expedição especial 'Travessia das Águas', que navega pelo Lago de Furnas para explorar a dimensão econômica e as histórias de quem depende deste vasto reservatório. Com reportagens especiais e um diário de bordo em tempo real, a iniciativa destaca como a pesca, tanto profissional quanto esportiva, é vital para o desenvolvimento do turismo e a subsistência de comunidades locais.
Pesca como fonte de renda e sustento familiar
No Lago de Furnas, um dos maiores reservatórios de água doce do Sudeste, a pesca transcende a tradição para se tornar uma peça-chave na economia regional. Em cidades como Passos e Alfenas, em Minas Gerais, centenas de famílias dependem diretamente dessa atividade. João Batista Rodrigues, pescador com 28 anos de experiência e presidente da colônia Z-37, enfatiza que o Rio Grande, que alimenta o lago, mantém muitas famílias que sobrevivem da pesca.
Ele explica que a cadeia produtiva é extensa, envolvendo desde a venda direta de peixes até o abastecimento de pousadas, restaurantes e peixarias. 'Nós vendemos peixe para pousadas, para pessoas da região e para o comércio. É uma rede que depende da pesca', afirma Rodrigues. Segundo ele, aproximadamente 400 famílias na região de Passos vivem dessa atividade, criando um círculo econômico que beneficia muitos.
Desafios ambientais e econômicos enfrentados pelos pescadores
Apesar da relevância, os pescadores enfrentam obstáculos significativos. A formação do lago, décadas atrás, alterou o ecossistema, reduzindo espécies migratórias como dourado, pintado e jaú. Rodrigues critica a falta de repovoamento adequado, afirmando que 'a represa prejudicou muito e isso continua até hoje'.
Outro problema é a oscilação do nível da água, que impacta diretamente a produtividade. Márcio Carlos Silva, pescador de Alfenas que vive exclusivamente da atividade desde 2017, relata que quando o lago abaixa muito, aumenta os gastos e dificulta encontrar peixes, afetando o rendimento mensal. Ele também alerta para riscos de navegação devido a tanques-rede sem sinalização adequada, especialmente à noite.
Crescimento da pesca esportiva e seu potencial turístico
Paralelamente à pesca profissional, a pesca esportiva tem se consolidado como um importante motor do turismo na região. Claudiomir Jacinto, presidente da Associação dos Pescadores Esportivos do Lago de Furnas, destaca que a atividade pode ser praticada o ano todo, com técnicas adaptadas a diferentes condições climáticas. Espécies como tucunaré, traíra e matrinchã atraem turistas, mas o potencial é subexplorado devido à falta de incentivos e infraestrutura, como hotéis e suporte ao visitante.
Jacinto ressalta que a pesca esportiva movimenta uma ampla cadeia econômica, incluindo postos de combustível, padarias e farmácias. No entanto, a oscilação do lago, quando abaixo da cota 762, cria perigos na navegação devido a árvores submersas e estruturas antigas, além de espantar os peixes.
Resposta da empresa gestora e perspectivas futuras
Questionada sobre as queixas dos pescadores, a AXIA Energia, responsável pela gestão, informou em nota que opera conforme as diretrizes do Operador Nacional do Sistema Elétrico, mantendo o reservatório em nível normal. A empresa argumenta que a baixa presença de peixes migradores não está ligada ao reservatório, pois essas espécies necessitam de rios com fluxo livre para reprodução, e que cumpre todas as exigências ambientais sob fiscalização do IBAMA.
A expedição 'Travessia das Águas' continua a documentar essas realidades, mostrando que, apesar dos desafios, a pesca no Lago de Furnas permanece como um pilar econômico essencial, com oportunidades de crescimento no turismo e na sustentabilidade regional.



