Casal de Rio Preto transforma vidas com palhaçaria hospitalar voluntária
Casal leva alegria a pacientes com palhaçaria hospitalar

Em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, um casal decidiu dar um novo rumo à vida em 2024. Rafael Moreschi Castanho, de 40 anos, e Ana Carolina Oliveira Castanho, de 36, trocaram parte de sua rotina por uma missão especial: levar conforto e alegria para pacientes de hospitais e idosos em asilos através da arte da palhaçaria.

Uma decisão que nasceu do coração

A iniciativa partiu de Ana Carolina, pedagoga de profissão, movida pelo desejo de realizar um trabalho voluntário. Foi nas redes sociais que ela encontrou o processo seletivo da Companhia Sementes da Alegria, grupo especializado em intervenções artísticas humanizadas em ambientes de saúde. Ela compartilhou a ideia com o marido, Rafael, que é consultor de vendas, e ele aceitou o convite sem hesitar.

Embora Ana tenha perdido o prazo inicial de inscrição, seu interesse genuíno chamou a atenção dos integrantes da companhia, que lhe ofereceram uma nova chance. O casal passou por entrevistas e, após sete meses de preparação, realizaram sua primeira visita oficial como palhaços voluntários.

A rotina dos "plantões" da alegria

Conciliar a vida profissional, os cuidados com a casa e a filha adolescente, Rafaela, de 14 anos, com o voluntariado exige planejamento. Os ensaios acontecem aos domingos, e os "plantões" de visitas são aos sábados. Rafael muitas vezes precisa se trocar para a apresentação dentro do próprio carro, após sair do trabalho, para chegar a tempo aos compromissos.

Nas instituições, eles assumem os personagens "Dr. Lindomar Fino" e "Dra. Brisa Lelé". O Dia Internacional do Riso, celebrado em 18 de agosto, ganhou um significado especial para a família, que revelou os bastidores dessa emocionante atividade.

"É gratificante sair de um quarto onde tivemos muitas gargalhadas, muita brincadeira. Isso é o que mais nos motiva: ver aquela pessoa, com suas dores e dificuldades, sorrindo de verdade. Isso não tem preço", relata Ana Carolina.

Histórias que inspiram e uma lição para a filha

Durante as apresentações, o casal se depara com histórias marcantes. Rafael conta sobre uma criança que é paciente em um dos hospitais. "Ela não é de Rio Preto, e a família não tem condições de estar aqui sempre. Quem cuida dela são as enfermeiras. Ela tem dificuldades para se locomover e não fala, mas sempre adora as visitas. Interage, quer tocar violão, dançar… É sempre uma festa", emociona-se.

O casal também envolve a filha, Rafaela, em eventos externos e visitas a asilos. O objetivo é passar um importante ensinamento. "Acho que o nosso objetivo, enquanto seres humanos, é sempre olhar o próximo sem nada em troca. Queremos que ela entenda, desde cedo, a importância da empatia e do cuidado com o outro", comenta Rafael.

Impacto positivo nos asilos

Um dos locais atendidos pelo casal é a Associação Evangélica Lar de Betânia, instituição sem fins lucrativos que acolhe idosos. A presidente do asilo, Mariza Augusta Rodrigues Gonçalves, enfatiza a importância dessas ações. "A intenção é tirar os idosos da rotina diária e estimular a interação. Essas ações ajudam muito, trazem momentos diferentes, em que eles riem, dançam, brincam e ficam realmente animados. Muitos não têm família ou não recebem visitas, por isso essas presenças são muito importantes", destaca.

A trajetória de Rafael e Ana Carolina mostra como o voluntariado e a arte podem transformar realidades, oferecendo um alívio emocional valioso para quem enfrenta momentos de vulnerabilidade em hospitais e instituições de longa permanência.