O santuário dedicado à Beata Benigna Cardoso da Silva, primeira beata do Ceará e quarta mártir brasileira reconhecida pela Igreja Católica, será inaugurado neste sábado, 25 de janeiro, em Santana do Cariri, no sul do estado. O complexo, que abriu suas portas às 6h da manhã, já recebe centenas de romeiros que participam das celebrações. Uma procissão marcou o início das atividades logo cedo, e uma equipe da TV Verdes Mares acompanha a cobertura do evento.
Estrutura do complexo religioso
O complexo ocupa uma área de aproximadamente 50 mil metros quadrados. Entre os destaques, há um templo para missas, uma estátua de 38 metros de altura – equivalente à do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro – e uma trilha de 600 metros que conduz ao local onde a menina foi morta. Benigna Cardoso nasceu há 98 anos, em Santana do Cariri. Aos 13 anos, foi assassinada após sofrer assédio e resistir ao agressor. Desde então, passou a ser venerada por fiéis, tornando-se símbolo de resistência contra o feminicídio e a violência contra crianças e adolescentes.
Programação da inauguração
A cerimônia oficial de inauguração está marcada para as 15h. A programação inclui terço devocional, missa e apresentações religiosas, com a participação da irmã Kelly Patrícia e do padre Fábio de Melo. A romaria em homenagem à beata ocorre anualmente em outubro, mês de sua morte. Há cerca de três anos e meio, Benigna foi beatificada, consolidando-se como a primeira beata mártir do Ceará e a quarta do Brasil.
Quem foi Benigna Cardoso da Silva?
Benigna Cardoso da Silva nasceu em 15 de outubro de 1928, no Sítio Oiti, em Santana do Cariri, a aproximadamente 500 km de Fortaleza. Segundo relatos de pessoas que conviveram com ela, era uma menina simples, sem vaidades, muito estudiosa e devota. Raimundo Alves Feitosa, de 98 anos, que conviveu com a mártir e testemunhou no processo de beatificação, descreve: "Ela se relacionava bem com todos, era gentil, muito educada, não usava de palavrões e se ocupava responsavelmente com os estudos. Nela se destacava a simplicidade e a prudência. Sua fama de santidade e martírio é justa."
Processo de beatificação
O processo de beatificação de Benigna começou em 2013, quando a Diocese do Crato recebeu do Vaticano o "Nihil Obstat" ("Nada Impede") para dar início à busca pelo título de beata. Em 2019, o Papa Francisco reconheceu sua história, tornando-a a primeira beata cearense e a quarta mártir do Brasil. A beatificação é uma etapa para a canonização, que a tornaria santa. Em outubro de 2022, o Vaticano oficializou o título de Menina Benigna como beata.



