Pastor é removido de liderança após denúncia sobre aluguel na COP30
Pastor removido após criticar aluguel da igreja na COP30

Um pastor foi destituído de sua posição de liderança em uma das congregações mais tradicionais de Belém, no Pará, após se posicionar publicamente contra o aluguel do espaço da igreja durante a COP30, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas.

Conflito na liderança da Assembleia de Deus

O pastor Marcelo Campelo foi removido da liderança da AD Doca pelo presidente da Convenção das Assembleias de Deus no Brasil (CADB), pastor Samuel Câmara. A decisão, comunicada no domingo, 4 de janeiro de 2026, teria relação direta com as críticas feitas por Campelo durante o evento climático internacional realizado em novembro de 2025.

Em um vídeo publicado em seu perfil no Instagram na segunda-feira, 5 de janeiro, Marcelo Campelo relatou o ocorrido. Ele contou que recebeu uma ligação de Samuel Câmara no fim de semana, marcando um encontro para a manhã de domingo. “A primeira coisa que ele falou para mim e para a minha esposa: ‘Marcelo, eu estou te tirando da tropa hoje. E hoje já apresento o novo pastor’”, disse o religioso.

A denúncia que gerou a punição

O motivo central do desentendimento foi a denúncia pública feita por Campelo sobre o aluguel do Centro de Convenções Centenário da Assembleia de Deus para eventos da COP30. A atitude gerou revolta entre parte dos fiéis e, aparentemente, entre a cúpula da denominação.

No relato, Campelo afirmou que não questionou o motivo da sua remoção, pois já sabia a razão. Sua esposa, Luana Campelo, complementou a narrativa, dizendo que o presidente Samuel Câmara justificou a ação como uma necessidade de obediência a uma ordem divina. “Ele disse que precisava ser obediente à ordem que deus deu para ele e que isso era urgente”, afirmou ela.

Reação e acusações de autoritarismo

Visivelmente abalado, Marcelo Campelo fez duras críticas à forma como a situação foi conduzida. “Não estou sendo tirado da igreja porque eu adulterei, roubei. Estou sendo tirado porque eu me posicionei. Isso é uma ditadura”, declarou no vídeo, que rapidamente circulou nas redes sociais.

O pastor também afirmou ter pedido uma revisão da decisão, mas o presidente da CADB não cedeu. Enquanto isso, um outro vídeo que ganhou destaque mostra Samuel Câmara discursando para fiéis na congregação da AD Doca, explicando a retirada de Marcelo Campelo. Nas imagens, é possível ver algumas pessoas deixando o local em meio a protestos, indicando que a medida não foi pacífica ou unânime.

O caso expõe tensões internas em uma das maiores denominações evangélicas do Brasil e levanta debates sobre liberdade de expressão, gestão de patrimônio religioso e os limites da autoridade dentro das instituições religiosas. A remoção sumária do pastor, baseada em seu posicionamento sobre um assunto de interesse público, coloca em foco os mecanismos de poder e disciplina dentro da Assembleia de Deus.