Papa Leão XIV planta oliveira na Argélia em visita marcada por tensões e homenagem a Santo Agostinho
Papa planta oliveira na Argélia em visita com tensões e homenagem

Papa Leão XIV segue passos de Santo Agostinho em visita histórica à Argélia

O papa Leão XIV realizou, nesta terça-feira (14), uma jornada espiritual significativa no segundo dia de sua visita à Argélia, seguindo os passos do teólogo cristão Santo Agostinho, a quem considera seu pai espiritual. Em Annaba, local da antiga cidade romana de Hipona, o pontífice mergulhou no legado histórico da região, visitando vestígios arqueológicos e um centro para idosos pobres administrado por freiras católicas.

Simbolismo da oliveira e cantos multilingues em sítio arqueológico

Sob uma chuva persistente, o líder da Igreja Católica percorreu o sítio arqueológico romano e realizou um gesto carregado de significado: plantou uma oliveira enquanto um coro entoava cantos em latim, amazigh e árabe. As melodias foram inspiradas em textos de Santo Agostinho sobre paz e fraternidade, ecoando na cidade que foi lar do santo, autor das fundamentais "Confissões" da tradição cristã.

Missa na Basílica e mensagem de testemunho cristão

À tarde, Leão XIV celebrou uma missa na Basílica de Santo Agostinho, reunindo clérigos de toda a África. Em homilia pronunciada em francês, o papa exortou os cristãos argelinos a "dar testemunho do Evangelho através de gestos simples, relações autênticas e um diálogo vivido no dia a dia". A irmã Rose-Marie de Tauzia, residente em Argel há duas décadas, expressou à AFP uma felicidade "imensa" com a visita papal, destacando que Leão veio "anunciar a paz" em um momento "difícil" de "tensão mundial".

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Contexto político tenso: críticas de Trump e atentado suicida

A visita do papa a este país de maioria muçulmana ocorre sob um cenário complexo. O presidente americano Donald Trump lançou duras críticas, chamando Leão XIV de "fraco" e "terrível", em um ataque pessoal sem precedentes de um mandatário dos Estados Unidos contra um pontífice. Simultaneamente, a viagem foi abalada por um duplo atentado suicida na cidade de Blida, a aproximadamente 40 quilômetros da capital Argel, onde o papa se encontrava. Autoridades ainda não emitiram comentários oficiais, mas uma fonte indicou à AFP que dois homens-bomba se explodiram no local, sem confirmação de vítimas até o momento.

Defesa de sociedades livres e resposta às críticas internacionais

Membro da ordem agostiniana que se autodenomina "filho" de Santo Agostinho, Leão XIV prestou homenagem às vítimas da guerra de independência da Argélia (1954-1962) em seu primeiro discurso no país. O pontífice exortou as autoridades argelinas a "não temerem" maior participação pública na vida política, defendendo uma "sociedade civil vibrante, dinâmica e livre". Esta mensagem ressoa em um contexto onde, desde os protestos pró-democracia de 2019, grupos de direitos humanos denunciam erosão de liberdades e aumento do controle sobre espaços públicos.

"As autoridades são chamadas não a dominar, mas a servir o povo e promover seu desenvolvimento", declarou o papa. Antes da viagem, Trump havia acusado Leão XIV de "brincar com um país [Irã] que quer uma arma nuclear", afirmando "não ser um grande fã" do pontífice e que "não há nada pelo que se desculpar". Em resposta, o líder católico declarou a bordo do avião papal: "Não tenho medo, nem da administração Trump, nem de proclamar a mensagem do Evangelho em voz alta. Acredito que a Igreja tem o dever moral de se manifestar claramente contra a guerra e a favor da paz e da reconciliação".

Repercussões e continuação da jornada africana

Na noite de segunda-feira, o vice-presidente americano JD Vance, convertido ao catolicismo, pediu ao Vaticano que se ativesse a "questões morais" e "deixasse o presidente dos Estados Unidos se concentrar em definir a política americana". Após partir da Argélia na quarta-feira, o papa Leão XIV continuará sua viagem por Camarões, Angola e Guiné Equatorial, levando adiante sua mensagem de paz e diálogo em um continente marcado por diversidade religiosa e desafios políticos.

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