Papa Leão XIV visita Mônaco e pede que ricos compartilhem riquezas com necessitados
Papa em Mônaco pede que ricos compartilhem riquezas

Papa faz apelo por solidariedade em visita histórica a paraíso fiscal

O Papa Leão XIV realizou neste sábado (28) uma visita histórica a Mônaco, tornando-se o primeiro pontífice em quase cinco séculos a pisar no rico enclave mediterrâneo conhecido como paraíso fiscal e destino preferido dos super-ricos. Durante sua passagem de um dia pelo microestado da Riviera Francesa, o líder católico fez um apelo direto aos moradores para que compartilhem suas riquezas e ajudem os mais necessitados.

Mensagem de compartilhamento em terra de bilionários

Em discurso emocionante, Leão XIV afirmou: "Aos olhos de Deus, nada é recebido em vão! Todo bem colocado em nossas mãos traz consigo a necessidade de não ser retido, mas compartilhado, para que a vida de todos possa ser melhor." O pronunciamento ganhou especial relevância considerando que Mônaco possui a maior concentração de bilionários per capita do planeta, sendo o segundo menor país do mundo, atrás apenas do Vaticano.

Segundo informações do Vaticano, a viagem tinha como objetivo demonstrar que países pequenos podem exercer influência desproporcional no cenário global. O pontífice chegou após um voo de helicóptero de 90 minutos a partir da Santa Sé e foi recebido com as honras protocolares típicas de visitas papais.

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Encontro com a realeza e gesto simbólico

Logo após sua chegada, Leão XIV se reuniu com o príncipe Albert II de Mônaco, chefe de Estado do país e filho da falecida atriz Grace Kelly. Como gesto oficial que reforçava sua mensagem sobre solidariedade, o papa presenteou o monarca com uma obra colorida produzida pelo estúdio de mosaicos do Vaticano, retratando São Francisco de Assis - figura histórica que renunciou à herança familiar no século XIII para dedicar sua vida aos pobres.

Em discurso na residência oficial do príncipe, o líder católico incentivou os moradores a "colocar sua prosperidade a serviço da lei e da justiça", enfatizando a responsabilidade social que acompanha a riqueza.

Público reduzido e expectativas de paz

Apesar da pompa característica das visitas papais, a agenda em Mônaco foi acompanhada por um público relativamente reduzido. Poucas pessoas testemunharam o trajeto do pontífice pelas ruas do país, que tem apenas 2,08 quilômetros quadrados, percorridas em um papamóvel aberto.

Entre os moradores que acompanharam a visita, havia expectativa de que o pontífice contribuísse para reduzir tensões globais, especialmente diante dos conflitos internacionais. "Há muita tensão no momento", disse Jean Claude Haddad, de 60 anos. "Ele pode reunir as pessoas... ele une as pessoas."

Posição sobre aborto e agenda internacional

Durante encontro com a comunidade católica local na Catedral de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, Leão XIV sinalizou apoio à decisão do príncipe Albert de vetar, no ano passado, um projeto de lei que previa a legalização do aborto - tema ao qual a Igreja Católica se opõe firmemente. O papa pediu que os fiéis continuem se manifestando "em defesa da pessoa humana", expressão frequentemente usada pela instituição em debates sobre aborto e pena de morte.

O veto, anunciado em 2025, teve caráter principalmente simbólico, já que o aborto é um direito garantido na vizinha França, país que cerca territorialmente o pequeno principado.

Primeiro papa norte-americano, Leão XIV foi eleito em maio para suceder o Papa Francisco no comando da Igreja Católica, que reúne aproximadamente 1,4 bilhão de fiéis em todo o mundo. A visita a Mônaco representa apenas a segunda viagem internacional do pontífice fora da Itália, mas marca o início de uma agenda internacional intensa.

Aos 70 anos, considerado relativamente jovem para um papa e apresentando boa saúde, Leão XIV já tem compromissos confirmados para os próximos meses. Em abril, fará uma viagem por quatro países da África e, em junho, está prevista uma visita de uma semana à Espanha, demonstrando seu compromisso com uma presença global ativa desde os primeiros meses de seu pontificado.

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