Zélia Duncan, uma das vozes mais marcantes da música brasileira, acaba de lançar seu 15º álbum de estúdio, intitulado 'Agudo Grave'. O disco, que chega ao mercado em 14 de maio, celebra os 45 anos de carreira da artista fluminense com dez faixas inéditas e uma regravação especial de 'Que tal o impossível?', do compositor Itamar Assumpção (1949–2003).
Uma obra que escorre como sólido
O álbum 'Agudo Grave' foi gravado entre setembro de 2025 e janeiro de 2026 no Estúdio do Tó, em São Paulo, sob produção musical e arranjos de Maria Beraldo. A conexão entre Zélia e Beraldo é o fio condutor do trabalho, que a própria artista define como 'um sólido que escorre' – referência ao verso da faixa 'Maravilha disforme', parceria com Lenine. Nessa música, Zélia canta paradoxos como 'O belo que apavora' e 'O afago que só corta', traduzindo a essência do disco.
Parcerias e sonoridade
O repertório autoral de 'Agudo Grave' conta com colaborações de peso. Alberto Continentino é parceiro em três faixas: 'Pontes no ar', 'E aí, IA?' e 'Importante', esta última com ares de samba contemporâneo, com violão de João Camarero e cavaquinho de Rodrigo Campos. Já 'Meu plano', com Ná Ozzetti, equilibra melodia e letra em um arranjo onírico. 'Voz', parceria com Maria Beraldo, é um dos pontos altos do álbum, com a dupla cantando sobre um violão de João Camarero: 'Meu corpo é a estrada toda'.
Outras parcerias incluem Zeca Baleiro em 'Calmo', música que evoca a serenidade de uma conversa na varanda, e Pedro Luís em 'Olhos de cimento', que mergulha na solidão urbana com guitarra rasgante de Filipe Coimbra. 'Resolvidinho', com Juliano Holanda (parceiro do álbum anterior 'Pelespírito'), devolve o disco ao reino dos afetos, com a proposta de dormir e sonhar dentro do outro.
Regravação e produção
Encerrando o disco, a regravação de 'Que tal o impossível?' (1988), de Itamar Assumpção, ganha um arranjo polifônico com piano inusual de Vitor Araújo, conectando a obra vanguardista do compositor paulista à inventividade de Maria Beraldo. A produção musical, com engenharia de som de Tó Brandileone, cria um álbum de fricção, onde violões e sintetizadores se encontram em harmonioso atrito.
Com capa assinada por Mauro Restiffe, 'Agudo Grave' será lançado nos formatos físico (LP e CD) e digital. A obra reafirma Zélia Duncan como uma artista em constante evolução, que não teme paradoxos e contradições, transformando-os em música que escorre como um sólido.



