Fausto Fawcett e Chelpa Ferro lançam álbum 'Pesadelo ambicioso' em 2026
Fausto Fawcett e Chelpa Ferro lançam 'Pesadelo ambicioso'

Fausto Fawcett e Chelpa Ferro lançam álbum 'Pesadelo ambicioso' em 2026

O coletivo carioca Chelpa Ferro, formado em 1995 pelo escultor Barrão, o pintor Luiz Zerbini e o editor de cinema Sergio Mekler, se notabilizou por promover a conexão entre as artes plásticas e a música eletrônica. Nesse universo experimental, o grupo produz o mesmo ruído urbano que alimenta a escrita imagética de Fausto Fawcett, hábil em expor o caos da cidade natal do artista, o Rio de Janeiro, cenário de belezas e horrores.

Lançamento e conceito do álbum

O álbum Pesadelo ambicioso foi lançado na segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026, com uma capa que enquadra uma obra de Barrão na arte gráfica de Daniel Ribeiro. A produção afina os versos verborrágicos de Fawcett com os barulhos do Chelpa Ferro, reiterando que a chapa ainda está quente. Aliás, a chapa talvez nunca tenha estado tão quente, tanto literal quanto metaforicamente.

Fausto Fawcett nunca acordou de sonhos intranquilos. No álbum, o escritor e compositor carioca propaga a náusea do absurdo brasileiro, como explicita no texto existencialista de Sabão Minerva, segunda das 13 faixas do disco. Gravado entre 2021 e 2025, o trabalho teve produção orquestrada pelo Chelpa Ferro com Thiago Nassif.

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Produção e influências musicais

Munido de guitarras e sintetizadores, Thiago Nassif se une ao Chelpa Ferro para friccionar o conceito de música, propondo uma nova linguagem sonora em sintonia com o histórico do trio. Curiosamente, o selo que edita o álbum se chama Outra Música. Também lançado no formato físico de LP, Pesadelo ambicioso é composto por textos de Fawcett com colagens de ruídos e sons experimentais de atmosfera noise.

Os textos são extraídos do livro homônimo lançado por Fawcett em 2022, uma coletânea de escritos feitos para quatro eventos. Um desses eventos era justamente a instalação apresentada pelo Chelpa Ferro em Brasília em 2021, com o mesmo nome do livro e do álbum. Escritos no contexto pós-pandemia, esses textos são a matéria-prima do álbum.

Análise das faixas e impacto artístico

A pulsação ruidosa dos sons produzidos por Thiago Nassif com o Chelpa Ferro potencializa o efeito ácido dos textos de Fausto Fawcett, que soa intencionalmente assustador no brado de Grito motor. Se a narrativa delirante de Forasteiro mental evoca a prosódia do escritor no álbum de estreia com o grupo Robôs Efêmeros, de 1987, Funk insinuante reverbera os graves do batidão que redesenhou a geografia da música carioca a partir dos anos 1990.

Candeia Stones recorre ao modus operandi dos DJs na pista de dança para tentar, em vão, um link entre o samba do compositor Candeia e o rock dos Rolling Stones. Os ruídos abafam o choro da cuíca. O que jamais é abafado ao longo do álbum é o som da voz de Fausto Fawcett, cujo tom apocalíptico se harmoniza com o texto e os ruídos de Demônios da insignificância.

Conclusão: um retrato do desencanto contemporâneo

Com os restos e os ruídos das experimentações sonoras do Chelpa Ferro e com a verborragia urbana de Fausto Fawcett, o álbum Pesadelo ambicioso capta a atmosfera sombria de um universo em desencanto. Um mundo em progressiva desconstrução. Sob tal prisma, o álbum soa como um grito já cansado e desesperado, ouvido sob os escombros da civilização urbana dos anos 2020.

Em resumo, Pesadelo ambicioso é uma obra que desafia convenções musicais, misturando poesia, ruído e crítica social para refletir as complexidades do Brasil atual. A colaboração entre Fawcett e Chelpa Ferro prova que a inovação artística continua viva, mesmo em tempos de incerteza e caos.

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