Fagner lança álbum 'Bossa nova' com produção de Menescal e recebe crítica mista
Fagner lança 'Bossa nova' com Menescal e recebe crítica mista

Fagner mergulha na bossa nova com álbum produzido por Roberto Menescal

Raimundo Fagner lançou oficialmente nesta quarta-feira, 6 de março, seu novo trabalho discográfico intitulado "Bossa nova". O álbum, que conta com a produção musical e os arranjos do renomado Roberto Menescal, apresenta regravações de dez canções emblemáticas associadas ao movimento musical que revolucionou a cena brasileira a partir de 1958.

Comparação inevitável com trabalho anterior de Luísa Sonza

A estreia do disco de Fagner traz consigo uma comparação quase imediata com o álbum "Bossa sempre nova", lançado por Luísa Sonza em janeiro de 2026. Ambos os projetos compartilham a assinatura de Menescal como produtor e arranjador, consolidando sua posição como figura central na revitalização contemporânea do gênero.

De acordo com a crítica especializada, o trabalho de Sonza demonstra mais charme e brilho do que a incursão de Fagner nessa onda de revalorização global da bossa nova. Enquanto a cantora conseguiu capturar a leveza característica do estilo, Fagner enfrenta dificuldades em incorporar o balanço essencial da bossa em sua interpretação.

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Adaptação vocal e colaborações destacadas

Para se adequar ao universo das canções selecionadas, Fagner realizou ajustes significativos em sua técnica vocal. O cantor amaciou sua emissão, reduziu os vibratos e enfatizou os graves, buscando uma aproximação com a suavidade exigida pelo repertório. A abertura do álbum com "Chega de saudade" (Jobim e Vinicius) exemplifica essa abordagem mais contida.

Entre as colaborações presentes no disco, destaca-se o dueto com Zeca Baleiro em "Tereza da praia", que recria com certa graça a parceria histórica entre Dick Farney e Lúcio Alves. A inclusão de sanfona no arranjo, assinado por Antonio Adolfo, adiciona um toque contemporâneo à releitura, embora Menescal tenha manifestado reservas quanto ao uso do instrumento em dois arranjos do álbum.

Banda de luxo e produção impecável

Roberto Menescal montou uma banda de primeira linha para acompanhar Fagner, reunindo músicos como Adriano Gifoni (baixo), Adriano Souza (piano) e João Cortez (bateria). O próprio Menescal toca violão em oito das dez faixas, garantindo uma base musical sólida e autêntica para as interpretações.

Apesar da qualidade técnica inquestionável, o álbum recebeu avaliação mista. Críticos apontam que, embora não agrida os ouvidos, "Bossa nova" não provoca sensação de encantamento. Em faixas como "Samba de verão", cantada ao lado do compositor Marcos Valle, Fagner parece um intérprete deslocado temporalmente, mesmo com seus esforços evidentes para se adequar ao padrão vocal do gênero.

Legado e contexto do lançamento

O álbum inclui releituras de clássicos como "Wave" e "Águas de março" (ambas de Antonio Carlos Jobim), esta última com participação especial da gaita virtuosa de Rildo Hora. A faixa "Rio" (Menescal e Bôscoli) reforça a intenção do artista em mergulhar no clima característico da bossa nova.

Editado pela gravadora Biscoito Fino, o trabalho serve como uma espécie de redenção para Fagner, apagando a má impressão deixada por seu show no Rio de Janeiro em setembro de 2025, que funcionou como prévia do disco. A crítica final ressalta que, apesar da correção quase asséptica das interpretações, o álbum representa um esforço digno de nota na carreira do cantor, ainda que não alcance a magia esperada de um tributo à bossa nova.

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