DJ Japa NK: Do auxiliar de pedreiro ao hit do carnaval com 'Posso Até Não te Dar Flores'
DJ Japa NK: De pedreiro ao hit do carnaval com sucesso no Spotify

DJ Japa NK: Do auxiliar de pedreiro ao hit do carnaval com 'Posso Até Não te Dar Flores'

Das quinze músicas mais ouvidas no Spotify atualmente, cinco carregam uma assinatura em comum: DJ Japa NK. O produtor de funk paulista, de 33 anos, é o responsável por "Posso Até Não te Dar Flores", faixa que lidera as paradas brasileiras há impressionantes dezesseis semanas consecutivas, consolidando-se como o grande hit do pré-carnaval nas plataformas de streaming. Desde seu lançamento, a canção acumulou mais de 250 milhões de reproduções no Spotify, destronando "P do Pecado", de Menos É Mais, do primeiro lugar no gosto popular. Além do topo, Japa NK também figura na lista com "Amo Minha Favela" (em parceria com MC Meno K), "Gauchinha", "Carnívoro" e "SET DO JAPA NK 2.0" (com MC Oruam).

Trajetória de superação: das obras ao estúdio

A vida de Adenilton Sapucaia dos Santos, conhecido artisticamente como Japa NK, é marcada por uma transformação radical. Nascido em Taboão da Serra, na Grande São Paulo, ele se mudou para Amargosa, no interior da Bahia, aos cinco anos, onde viveu até os dezoito. "Era 'mó' paz. Eu gostava de lá porque não tem violência e essas coisas de cidade grande", relembra o DJ em entrevista ao g1. Amargosa, com população estimada em 39 mil habitantes segundo o IBGE, ficou para trás quando Japa retornou a São Paulo, estabelecendo-se no Capão Redondo, Zona Sul da capital paulista.

Lá, trabalhou como auxiliar de pedreiro ao lado do pai, enquanto a mãe atuava como faxineira e a irmã como caixa de mercado. "Nunca achei que a música podia mudar minha vida. Eu achava que música não dava dinheiro. Foi nesse momento que comecei a trabalhar em obra, carregando entulhos e batendo massa, por um salário pequeno", confessa. Sua incursão na música começou como hobby, utilizando o programa Virtual DJ para mixagens, uma porta de entrada comum para muitos DJs. Sua primeira apresentação pública ocorreu em 2008, no colégio Pedro Calmon, ainda em Amargosa, despertando sua paixão pela produção.

Ascensão musical e o fenômeno do hit

Após mais de uma década nas construções, Japa NK lançou sua primeira música oficialmente em 2022, aos 30 anos. No entanto, foi em 2025 que sua carreira decolou definitivamente com "Posso Até Não te Dar Flores", um arrocha-funk produzido em parceria com DJ Davi DogDog. A faixa, que já completa quinze semanas no topo do ranking brasileiro do Spotify, nasceu durante uma viagem a Guarujá, no Litoral Sul de São Paulo, inspirada em "I Gotta Feeling" do Black Eyed Peas e "Famosinha" de MC Ryan SP.

Japa explica que a música combina dois tipos de beats: um mais calmo e outro explosivo, criando uma sensação de que a faixa termina rapidamente, incentivando repetidas audições. "Quando terminamos de montar já era 6h da manhã. Pensei 'acabei de acertar um hit, vou fazer mais nada hoje'", relata. O sucesso foi imediato, desbancando concorrentes e posicionando-se como forte candidata ao hit do carnaval. O produtor atribui o fenômeno à potência do funk, que, em sua visão, tem potencial para rivalizar com o sertanejo como ritmo mais ouvido no Brasil.

Identidade e inspirações

O apelido "Japa" surgiu em Amargosa devido aos seus olhos puxados, herança da ascendência japonesa. Ao retornar a São Paulo, para se diferenciar de outros descendentes, Adenilton adotou as iniciais "NK", em homenagem ao Jardim Nakamura, favela próxima ao Capão Redondo. Hoje, ele se destaca como um dos poucos artistas de origem asiática na indústria musical brasileira, um grupo que representa apenas 0,4% da população segundo o Censo 2022.

Suas tatuagens refletem essa identidade: kanjis que significam "paz, família e fé" e um templo budista japonês. Entre suas inspirações, figuram nomes como Martin Garrix, que recentemente tocou um remix de sua música no Brasil, e David Guetta. Japa sonha em gravar com artistas como MC Hariel, MC Don Juan, Dennis DJ e Pedro Sampaio.

Processo criativo e parcerias

Integrante da Bololô Records, gravadora de MC Ryan SP, Japa NK já lançou dois álbuns: "É o Japa NK Né Bebê" (2024) e "Beat que Te Deixa Alerta" (2023). Seu processo de criação ocorre predominantemente durante a noite e madrugada, um hábito comum entre os artistas da gravadora. Temas como términos amorosos, sofrimento e superação por meio de festas são recorrentes em suas letras, algo que ele justifica pela identificação do público. "Música é sentimento. Você vai escutar e vai se identificar, por que pode estar passando por algo parecido", afirma.

MC Ryan SP, com quem mantém uma parceria próxima, descreve Japa como "muito trabalhador, inovador e gosta muito de fazer música". O funkeiro prevê que "Japa veio para ficar e proliferar". Com agenda cheia de shows, incluindo apresentações em trios elétricos no carnaval, o DJ demonstra ansiedade para compartilhar seus hits, como "Posso Até Não te Dar Flores", "Amo Minha Favela" e "Gauchinha", com o público folião.

Esta trajetória, que vai das obras ao estrelato musical, ilustra não apenas a resiliência de Japa NK, mas também o poder transformador do funk paulista, que continua a conquistar espaço e corações no cenário nacional.