Manuela Korossy faz história como primeira brasileira diplomada em canto lírico na Juilliard
A brasiliense Manuela Korossy, de 24 anos, acaba de entrar para a história da música brasileira ao se tornar a primeira cantora lírica do país a se formar na prestigiosa Juilliard School, um dos conservatórios de artes performáticas mais renomados do mundo. Com formatura prevista para maio deste ano, a soprano compartilha que o encanto pela ópera permanece intacto mesmo após anos de intensa dedicação.
Da sanfoninha de brinquedo aos palcos internacionais
Tudo começou aos 7 anos, quando Manuela descobriu Luiz Gonzaga e ganhou dos pais uma pequena sanfoninha de brinquedo. Esse presente simples despertou uma paixão que moldaria seu destino. A trajetória musical da jovem foi marcada por etapas consistentes de formação:
- Aos 7 anos: ingressou em projeto de musicalização infantil da Universidade de Brasília (UnB)
- Aos 10 anos: começou estudos de piano clássico na Escola de Música de Brasília
- Aos 12 anos: participou do coro lírico infantil na ópera Carmen no Teatro Nacional Cláudio Santoro
- Aos 15 anos: entrou na turma de Canto Erudito da Escola de Música de Brasília
- Aos 17 anos: foi aprovada no curso de Música da UnB
- Aos 19 anos: superou três etapas seletivas para ingressar na Juilliard
Manuela foi selecionada entre mais de 400 candidatos internacionais e conquistou uma bolsa de estudos que cobria 90% dos custos. "É tudo muito fantástico, muito intenso e muito prazeroso. O canto lírico é um reflexo, talvez amplificado, de quem eu sou", afirma a cantora.
Desafios e superação na Juilliard School
A mudança de Brasília para Nova York trouxe choques culturais significativos. "O maior desafio de trocar Brasília por Nova York foram as sirenes das ambulâncias. A gente não tem noção de quão barulhento uma sirene pode ser", revela Manuela. A escola, fundada em 1905, exige dedicação integral com carga horária intensa, média mínima de 7,3 e baixa tolerância a faltas.
Entre suas disciplinas preferidas, destacam-se teoria musical, percepção, literatura vocal italiana, história do canto e análise de óperas. A cantora mergulhou em pesquisas sobre técnicas vocais de referências como Ida Miccolis, Renata Tebaldi, Lina Bruna Rasa e Elena Souliotis.
O caminho não foi fácil financeiramente: em determinado momento, Manuela precisou trabalhar em quatro empregos simultâneos para cobrir os 10% não contemplados pela bolsa e seus custos de vida. "É uma escola que não foi feita para quem precisa trabalhar e estudar, que sempre foi meu caso. Eu cheguei a um ponto em que acreditava que seria impossível me formar", confessa.
Após trancar a faculdade por um ano e considerar transferência para a Academia de Música Liszt Ferenc em Budapeste, a coordenação da Juilliard ofereceu bolsa integral de 100% para que concluísse os estudos nos Estados Unidos.
Futuro promissor e celebração à brasileira
Na quarta-feira (11), Manuela apresentou seu recital final, equivalente ao Trabalho de Conclusão de Curso no Brasil. Agora, aguarda apenas a conclusão das matérias restantes até maio para receber oficialmente seu diploma.
Para celebrar a formatura, a soprano planeja uma festa tipicamente brasileira com churrasco e caipirinha. Seus planos profissionais incluem construir carreira internacional na Itália e também se apresentar em palcos latino-americanos.
"Não há forma melhor de comemorar uma conquista como essa do que pondo em prática tudo que eu tenho aprendido, construído. Estar no palco é sempre uma grande comemoração. Minha grande meta é levar a voz do Brasil para o mundo e trazer o mundo de volta para o Brasil", projeta a musicista que estudou em colégios públicos do Distrito Federal antes de conquistar seu lugar entre os dez alunos selecionados mundialmente para a Juilliard, onde apenas cinco eram estrangeiros e quatro norte-americanos.
