AC/DC no Brasil: Entre a Lenda e a Crítica Geriátrica
A veterana banda de rock australiana AC/DC retorna ao Brasil nesta terça-feira, 24 de fevereiro de 2026, para iniciar a etapa brasileira de sua turnê mundial, com três apresentações em São Paulo. No entanto, a vinda dos músicos, cujos integrantes principais já ultrapassam os 70 anos, reacende um debate intenso: seria este um grande show ou um espetáculo deprimente de velhinhos?
Longevidade e Polêmicas na Estrada
Na estrada desde 1973, o AC/DC alcançou o estrelato no final da mesma década e sobreviveu a desafios significativos, incluindo a perda do vocalista original Bon Scott por intoxicação alcoólica aguda, a aposentadoria forçada do líder Malcolm Young devido à demência e problemas auditivos que quase deixaram surdo o atual cantor, Brian Johnson. Com diversas trocas de baixistas e bateristas ao longo dos anos, apenas o guitarrista Angus Young permanece da formação original.
A qualidade das performances ao vivo tem sido alvo de críticas contundentes. Alguns fãs argumentam que a banda não tem mais condições de sustentar o rock pesado, com decepções em relação aos vocais de Brian Johnson, de 78 anos, e às performances de Angus Young, de 70, que seriam uma sombra das apresentações elétricas do passado.
O Contraste entre Idade e Letras Juvenis
Um ponto central da polêmica é o contraste entre a idade avançada dos músicos e o tom juvenil das letras. Como justificar um vocalista septuagenário cantando "você me sacudiu a noite inteira" em You Shook Me All Night Long ou descrevendo noitadas em Whole Lotta Rosie? Esse descompasso serve de munição para críticos que veem as apresentações como meras buscas por dinheiro na aposentadoria.
O fenômeno não é exclusivo do AC/DC. Bandas clássicas como os Rolling Stones, com membros octogenários, enfrentam avaliações similares. David Remnick, editor-chefe da revista New Yorker, chegou a descrever shows dos Stones como "sublimemente ridículos", destacando a ironia de músicos idosos executando canções rebeldes de décadas passadas.
Público Ignora Críticas e Lota Estádios
Apesar das ressalvas, o público parece dar de ombros às críticas. Os três shows do AC/DC no Brasil esgotaram rapidamente, com estádios cheios não apenas de fãs de meia-idade, mas também de novas gerações. Isso levanta a questão: estariam todos sendo enganados pela nostalgia ou simplesmente celebrando a oportunidade de testemunhar lendas vivas?
Para muitos, a resposta está além do cinismo. A presença do AC/DC representa uma homenagem a sobreviventes que percorreram um longo caminho até o topo, superando percalços e dramas. São figuras autênticas que marcaram época e merecem aplausos por sua resiliência.
No fim, como parafraseiam Mick Jagger e Keith Richards, isto é apenas rock'n'roll – e o público continua gostando, independentemente da idade dos artistas. A turnê brasileira do AC/DC não é apenas um evento musical; é um testemunho da longevidade do rock e do poder duradouro de suas lendas.