Bad Bunny no Super Bowl: Show pode ser o mais politizado da história do evento
Bad Bunny no Super Bowl: Show pode ser o mais politizado

Bad Bunny no Super Bowl: Expectativa por show politizado após protestos no Grammy

Bad Bunny está no topo do mundo. Ele é o artista mais ouvido do planeta, acaba de ganhar o Grammy de álbum do ano e, neste domingo (8), comanda o cobiçado intervalo do Super Bowl, evento de maior audiência da TV americana. O show terá transmissão ao vivo na GE TV e no Multishow, a partir das 22h, com reexibição na TV Globo após o "BBB". Tudo indica que essa apresentação vai gerar muita discussão, não apenas por seu talento musical, mas pelo contexto político tenso nos Estados Unidos.

Artista porto-riquenho em palco americano: Um ato de resistência

Não é segredo que Bad Bunny tem um lado político atrelado ao seu trabalho. Há anos, as músicas e o posicionamento público do cantor falam por ele. Isso ficou claro em 2019, quando o músico abandonou uma turnê para se juntar a protestos contra o governador Rosselló, em Porto Rico. Além disso, Bad Bunny nunca abriu mão de sua identidade latina para emplacar nos Estados Unidos, um privilégio que outros artistas latinos nem sempre tiveram.

Suas músicas são inerentemente latino-americanas, seguindo a linha do reggaeton e trap latino, com letras em espanhol e citações culturais diversas. Essa aposta se intensificou com o disco “Debí Tirar Más Fotos”, lançado em janeiro de 2025, que defende a história e a cultura de Porto Rico, abordando temas como identidade latina, gentrificação e imperialismo americano.

Tensões políticas no auge: Super Bowl em meio a protestos

O show do intervalo do Super Bowl é um dos eventos musicais mais assistidos do mundo, atraindo mais de 100 milhões de telespectadores somente nos Estados Unidos. Historicamente, é um entretenimento projetado para ser inofensivo, mas não está isento de polêmicas. Em 2016, Beyoncé fez uma manifestação sobre negritude, e em 2025, um dançarino de Kendrick Lamar mostrou bandeiras da Palestina e do Sudão, sendo preso.

Desta vez, os Estados Unidos vivem um momento de grande inquietação, com manifestações contra o ICE após mortes no Minnesota. O Super Bowl ocorre nesse contexto, e a presença de Bad Bunny, um porta-voz da comunidade latina, promete gerar discussões intensas. A NFL já afirmou que agentes do ICE não terão participação no evento, mas o clima segue tenso.

Como deve ser o show: União ou manifestação?

Apesar de todos os fatores, pode ser que Bad Bunny não faça grandes manifestações na apresentação. Ele já se posicionou ao vencer o Grammy, defendendo imigrantes e pedindo "fora ICE". Nesta semana, o comissário da NFL, Roger Goodell, minimizou as polêmas, esperando que o show una pessoas em vez de gerar debates políticos.

Bad Bunny adiantou em entrevista que o show será divertido e fácil, focando na dança. Trata-se de um evento extremamente coreografado, com contratos rigorosos, o que limita possíveis desvios do script. No entanto, no contexto atual, mesmo um show que exalte a cultura latino-americana já representa um posicionamento político significativo.

Podemos estar diante do show mais politicamente carregado da história do Super Bowl, mesmo sem manifestações explícitas. A audiência deve bater recordes, refletindo o interesse global por esse momento único na cultura pop e política.