Assessor mais próximo de Pelé lança livro com relatos íntimos do Rei do Futebol
José Fornos Rodrigues, conhecido como Pepito, o assessor mais próximo de Pelé durante décadas, acaba de lançar o livro "Pelé — O Legado Desconhecido", publicado pela editora Trend. A obra revela facetas inéditas do ícone do futebol, mesclando momentos de riso e choro que mostram um Pelé humano, teimoso e surpreendente em sua genialidade e simplicidade.
Histórias que mostram o lado humano do Rei
Em entrevista exclusiva, Pepito compartilhou diversas histórias que não estão no livro, mas que ilustram perfeitamente o caráter único de Pelé. "Ele era gente como a gente", afirma o assessor, destacando que essa era a essência do atleta, mesmo sendo considerado "um E.T. na Terra" por sua extraordinária habilidade.
Uma das passagens mais curiosas envolve um pedido de autógrafo. Uma amiga próxima de Pelé implorou que ele conseguisse a assinatura do cantor Roberto Carlos. Em um evento empresarial, Pelé se aproximou do artista com caneta e papel, mas Roberto Carlos preferiu usar seus próprios materiais para assinar, demonstrando o respeito mútuo entre as duas lendas brasileiras.
O cotidiano surpreendente de um ícone
Pepito revela detalhes prosaicos da vida de Pelé que contrastam com sua fama mundial:
- Documentação: Pelé sempre carregava seu RG no bolso, embora às vezes esquecesse. Pepito mantinha uma cópia autenticada para emergências. A única vez que foi solicitado foi quando Pelé foi parado pela Polícia Rodoviária enquanto dirigia - o policial, mesmo reconhecendo-o, pediu o documento apenas para ver o nome "Edison" (como consta na certidão) e sua foto.
- Finanças peculiares: Pelé costumava carregar dinheiro e cheques na carteira. Seu contador enfrentava dilemas mensais porque os cheques dados como pagamento em postos de gasolina muitas vezes não eram descontados - os proprietários preferiam emoldurá-los com a assinatura do Rei.
Comoções emocionais e encontros que não aconteceram
A devoção por Pelé gerava reações intensas ao redor do mundo. Pepito recorda cenas marcantes:
- Na Itália: Pessoas choravam e chegavam a beijar seus pés, demonstrando uma veneração quase religiosa.
- Em Chicago (1970): Uma adolescente desmaiou em prantos ao ver Pelé em sua sala de aula, necessitando atendimento médico.
Curiosamente, houve um encontro que quase aconteceu, mas não se concretizou. No Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, Pepito encontrou o cineasta Arnaldo Jabor, a quem Pelé admirava muito. Jabor lamentou não ter sido apresentado ao Rei, e os dois nunca se conheceram pessoalmente. Quando Jabor faleceu, Pelé comentou: "Esse era o cara que não podia ter morrido".
A recusa da Copa de 1974 e a sabedoria de Dondinho
Um dos momentos históricos abordados no livro é a decisão de Pelé de não disputar a Copa de 1974. Contrariamente a especulações sobre pressão governamental, Pepito esclarece que a situação foi mais tranquila. Em 1973, Pelé foi convidado a conversar com o então ministro da Educação, Jarbas Passarinho, mas manteve sua decisão de não jogar mais pela seleção.
Naquela tarde, Pelé citou uma frase sábia de seu pai, Dondinho: "Melhor parar quando todo mundo quer que continue e continuar quando todo mundo quer que pare". Essa reflexão guiou sua escolha de se aposentar da seleção no auge.
O legado eterno de Pelé
Pepito acredita que Pelé será lembrado por séculos não apenas como um gênio do futebol, mas como uma pessoa acessível e humana. Ele ilustra isso com uma cena emblemática: quando Pelé decidiu viajar sozinho para Nova York, um casal no aeroporto comentou ao vê-lo passar: "Olha, ele é gente como a gente".
Essa dualidade - ser ao mesmo tempo extraordinário e comum - define o legado de Pelé. O livro de Pepito oferece um retrato íntimo que complementa a imagem pública do Rei, mostrando que por trás do mito havia um homem com peculiaridades, teimosias e uma simplicidade que cativava todos ao seu redor.



