A cantora colombiana Shakira iniciou sua trajetória musical sendo rotulada como uma versão latina de Alanis Morissette. Com o tempo, ela se transformou em uma verdadeira loba, responsável por levar ritmos latinos dançantes ao topo das paradas de sucesso. Acima de qualquer rótulo ou apelido, Shakira soube se manter relevante ao longo das décadas, sempre contando com o apoio do público brasileiro. Assim como Madonna e Lady Gaga marcaram presença no Rio de Janeiro, Shakira se apresentará na Praia de Copacabana neste sábado (2), trazendo canções que, em sua essência, são pop dançante com toques de cumbia, vallenato, merengue e diversos outros gêneros musicais com sotaque colombiano e mexicano.
A influência do vallenato
O vallenato é uma das engrenagens fundamentais na sonoridade de Shakira. Ela dança e canta sobre uma versão modernizada desse estilo, criado com o acordeão importado da Alemanha e músicos do Caribe colombiano. Nas canções pioneiras dos anos 1930 e 1940, predominavam histórias de viagem, críticas sociais e um certo tom debochado. Em "La bicicleta", sucesso de 2016, o uso da percussão e do acordeão remete a músicas como "La gota fría", de Emiliano Zuleta (1912-2005), um dos clássicos do vallenato, que ganhou uma releitura moderna lançada por Carlos Vives em 1993. Não por coincidência, o conterrâneo de Shakira gravou com ela essa ode cicloativista.
O merengue dominicano
A vibração do merengue dominicano é o que sustenta a faceta mais uivante da loba. "Loca", de 2010, adapta a cadência acelerada do estilo. O hit foi gravado com o cantor dominicano El Cato, em um estúdio do país caribenho. A sonoridade remete ao merengue raiz de compositores como Luis Alberti (1906-1976), que em 1936 já ditava o ritmo com "Compadre Pedro Juan". A letra dos merengues costuma ser leve, incentivando flertes e descrevendo coreografias na pista de dança. "Tire a dama para dançar, porque o merengue vai acabar, e se você não tomar cuidado, você vai ficar igual um papagaio preso", canta Alberti. Shakira mantém o bom humor e o tom provocativo do merengue, usando expressões como "Dance ou morra" e "gata no cio".
A cumbia colombiana
A essência da cumbia colombiana se faz presente na estrutura melódica e no arranjo cheio de balanço. "Hips don't lie", de 2006, utiliza essa base rítmica com 100 batidas por minuto, que remete a clássicos do estilo como "Cumbia sobre el mar", de Pancho Galán (1906-1988), lançada em 1941. As cumbias tradicionais têm essa mesma pegada relaxada, comum também na salsa, com groove de baixo e um insistente trompete. Além disso, a conga é citada na letra e na lista de instrumentos percussivos presentes na faixa.
O mariachi e o pop rock
A dramaticidade e a instrumentação da sonoridade mariachi ajudaram a definir a estética de Shakira no final dos anos 1990. Embora essa fase tenha o pop rock como principal inspiração, uma união de peso e fúria que rendeu o apelido "Alanis Morissette latina", a latinidade ainda aparece. Em "Ciega, Sordomuda", de 1998, os trompetes típicos do estilo mexicano e a estrutura da canção evocam nomes como Pepe Guizar (1912-1980), voz de canções como "Guadalajara", de 1937. O arranjo no "Acústico MTV" (2000) pesou ainda mais nas referências à música regional mexicana.
Com uma carreira que abrange mais de três décadas, Shakira lançou dez álbuns de estúdio na fase adulta, além de dois discos na adolescência, gravados aos 13 e 15 anos, que prepararam o terreno para sua estreia oficial voltada ao pop rock. O g1 analisa todos eles e os classifica do pior ao melhor, destacando as principais influências latinas que permeiam sua obra.



