Rio Fashion Week renasce após uma década com desfiles e desafios logísticos
Após 10 anos sem manifestações significativas de moda, a cidade do Rio de Janeiro, conhecida por influenciar tendências globais, finalmente recebeu a Rio Fashion Week. O evento foi organizado por Daniela Maia, que desde 2021 tentava concretizar essa semana de moda, com sucesso após reuniões no ano passado com a MM, empresa responsável pela São Paulo Fashion Week e outros eventos.
Estrutura e atividades do evento
A Rio Fashion Week ofereceu uma programação diversificada, incluindo desfiles, palestras, talks e um salão de showrooms. Os armazéns do Pier Mauá foram divididos em duas salas para apresentações de coleções, além de locais externos como a Misci na Sapucaí, a Lenny no Museu do Amanhã e a Osklen no Palácio da Cidade. Uma multidão animada, composta por convidados e compradores de ingressos, aproveitou os espaços de patrocinadores e balcões de comidas.
Percalços e desafios enfrentados
No entanto, o evento não foi livre de problemas. A distância entre as salas, a sala de imprensa e os diversos espaços de apoio obrigou os participantes a longas caminhadas pelo cais para acompanhar as atividades. Além disso, atrasos nos desfiles foram comuns, muitas vezes causados pelo cruzamento de modelos que participavam de shows seguidos. A marcação da sala durante as passagens das coleções fez com que o elenco desse meia-volta no meio do caminho, impedindo boa parte da plateia de ver as roupas adequadamente.
Destaques das coleções apresentadas
Nas coleções, dois focos principais se destacaram: o artesanal requintado e as grandes proporções. A moda masculina surpreendeu com cortes inovadores, como a Handred, marca carioca de André Namitala, que apresentou calças largas e curtas, paletós e casacos sobrepostos em tons de marrom. Lucas Leão transformou o terno tradicional em looks mais fluidos, sem exageros.
Na moda praia, Helô Pinheiro abriu a história renovada da Blue Man, reintroduzindo o maiô engana-mamãe e o fio dental, com participação de figuras típicas da praia. A Salinas, agora assinada por Adriana de Bozon, incorporou um novo luxo com detalhes de pássaros em recortes, estampas e brincos.
Estreias e inovações na moda
Algumas estreias agradaram pelo conteúdo, como a Aluf e a Hisha, esta última impressionante pela beleza dos bordados. Patrícia Vieira mais uma vez demonstrou sua habilidade mágica com couro, enquanto a Adidas expandiu seu alcance, saindo da academia para sugerir agasalhos mais coloridos e sofisticados. Karoline Vitto trouxe o conceito de moda inclusiva, com roupas para tamanhos além do manequim 46, unidas por elos prateados.
Isabela Capeto e sua filha, Chica, apresentaram um show do artesanal com misturas de tecidos e bordados, incluindo saiões de babados e ráfia no final, uma estratégia inteligente inspirada em Matthieu Blazy na Chanel. A Dendezeiro ofereceu um momento divertido com um elenco irreverente, música contagiante e ideias criativas em couro.
Celebração e legado familiar
O Museu do Amanhã serviu como cenário para a celebração dos 35 anos da grife Lenny Niemeyer, com um desfile que revisitou peças do acervo de três décadas de moda praia de alta classe. Um lembrete final: Daniela Maia é filha de Mariangeles Maia, que foi casada com o ex-prefeito Cesar Maia e também se empenhou em valorizar a moda carioca, chegando a ceder o Palácio da Cidade para eventos semelhantes.
Em resumo, a Rio Fashion Week marcou o retorno da moda ao Rio de Janeiro após uma década, combinando criatividade, tradição e alguns obstáculos logísticos, reafirmando a cidade como um polo influente no cenário fashion mundial.



