Matthieu Blazy reimagina a Chanel no outono/inverno 2026 com tailleur como arquitetura viva
Blazy transforma tailleur Chanel em arquitetura viva na coleção 2026

Matthieu Blazy reimagina a Chanel no outono/inverno 2026 com tailleur como arquitetura viva

Das passarelas às ruas, a moda está em constante movimento, e a Chanel, sob a direção criativa de Matthieu Blazy, demonstrou essa fluidez no desfile outono/inverno 2026, realizado no Grand Palais em Paris. A coleção se apresenta como um exercício profundo sobre o tempo, onde décadas se sobrepõem e códigos históricos são reinterpretados com maestria, colocando o clássico tailleur Chanel no centro de uma narrativa que une passado e futuro.

Um legado em construção no Grand Palais

Entre guindastes coloridos – azuis, vermelhos, amarelos e brancos – erguidos dentro do Grand Palais, o cenário sugeria a moda e um legado em constante evolução. Blazy conduziu o público por uma viagem temporal, dos anos 1920 aos dias atuais, revelando como uma mesma estrutura, como o tailleur, pode gerar infinitas interpretações. Não por acaso, Gabrielle Coco Chanel sempre defendeu que a roupa deveria libertar, não aprisionar, uma filosofia que ecoa em toda a coleção.

O desfile começou com a modelo Stéphanie Cavalli vestindo um conjunto preto de tricô com saia e jaqueta, seguido por um look quase idêntico em branco. Esse gesto inicial destacou a essência da Chanel: antes de qualquer ornamento, parte-se do básico. Blazy explorou os códigos fundamentais do guarda-roupa moderno, muitos herdados de peças masculinas ou utilitárias que Coco Chanel incorporou primeiro ao seu estilo pessoal antes de transformá-las em moda global.

Silhuetas históricas e referências atemporais

Aos poucos, o tempo começou a se dobrar na passarela. A silhueta alongada dos anos 1920, uma assinatura de Blazy desde sua estreia na maison, surgiu ainda mais marcada, com cinturas baixas, saias e vestidos ganhando cintos posicionados abaixo do quadril, criando um corpo mais esguio e gráfico. Essa depuração visual focou no corpo e na relação íntima entre quem veste e a peça escolhida, promovendo um gesto mais pessoal, funcional e autêntico.

As referências históricas apareceram como ecos sutis ao longo da coleção:

  • Conjuntos de saia de cintura baixa que remetem aos loucos anos 1920.
  • Vestidos halter inspirados nos anos 1960.
  • Blazers amplos com ombreiras dramáticas que evocam os anos 1980.

O clássico tweed da maison surgiu em tons inesperados, como laranja, creme, rosa e amarelo, antes de desembocar em versões futuristas em lurex metálico, com reflexos verdes e prateados. Blazy pareceu imaginar como seria Gabrielle Coco Chanel vivendo em 2026, criando roupas que servem como plataforma para as mulheres expressarem quem realmente são e quem desejam ser.

Atmosfera de autenticidade e adesão à marca

Essa ideia de roupa como plataforma, e não como fantasia, explicou a atmosfera que tomou conta da primeira fila do desfile. Estrelas como Margot Robbie, Oprah Winfrey e Teyana Taylor assistiam vestidas de Chanel, mas ninguém parecia fantasiado, refletindo uma autenticidade rara. Há muito tempo uma estreia não provocava tanta adesão à marca, com lojas da maison em Paris registrando filas e esperas de até uma hora desde que a primeira coleção de Blazy chegou às araras.

A Chanel sempre foi menos sobre tendências passageiras e mais sobre atitude duradoura. O outono/inverno 2026 de Matthieu Blazy mostrou que o verdadeiro poder da casa reside na criação de roupas capazes de atravessar décadas, mantendo-se profundamente atuais e prontas para acompanhar mulheres reais em qualquer momento do dia ou da vida. Essa coleção não apenas homenageia o passado, mas também constrói um futuro onde a moda é sinônimo de liberdade e expressão individual.