A maior pegada de dinossauro já encontrada no Brasil foi descoberta na zona rural do município de Sousa, no Sertão da Paraíba, por uma equipe de pesquisadores vinculados à Secretaria de Ciência e Tecnologia do estado. O achado ocorreu na comunidade Floresta dos Borbas e impressiona pelas dimensões: 60 centímetros de comprimento por 55 de largura, conforme divulgado pelo estudo.
Detalhes da descoberta
O coordenador da expedição, Fabio Cortes, lidera um projeto geopaleontológico e arqueológico na Bacia do Rio do Peixe, área próxima a Sousa que já revelou outros vestígios de dinossauros e abriga o conhecido Vale dos Dinossauros. Apesar da relevância, a descoberta ainda não foi publicada em artigo científico nem divulgada em revista especializada, baseando-se, por enquanto, em observações e comparações tridimensionais após mapeamento da pegada.
Características do dinossauro
A pegada pertence a um Abelisaurus, um dinossauro carnívoro de grande porte que viveu na América do Sul durante o período Cretáceo, há aproximadamente 140 milhões de anos. O animal provavelmente media cerca de 6 metros de comprimento. Segundo Fabio Cortes, após revisão bibliográfica de registros de pegadas no Brasil, nunca havia sido identificada uma pegada tão grande de um dinossauro terópode tridáctilo (com três dedos).
Metodologia empregada
A equipe utilizou a técnica de fotogrametria digital, que consiste em capturar múltiplas fotografias da pegada e sobrepô-las para gerar modelos tridimensionais. Esses modelos alimentam um acervo digital em implementação, que ficará disponível para a população da Bacia do Rio do Peixe, da Paraíba e para pesquisadores de todo o Brasil.
Potencial para novas descobertas
O pesquisador destaca que a Bacia do Rio do Peixe é vasta e ainda pouco mapeada, aumentando a possibilidade de novas descobertas. “Cada vez que visitamos o local, encontramos novas pegadas”, afirma. A expectativa é que a região, incluindo o Vale dos Dinossauros, possa se tornar uma reserva geopaleontológica no futuro, embora essa ainda seja uma possibilidade distante.
Preservação do local
Para proteger a pegada e eventuais novos achados, Fabio Cortes ressalta a necessidade de isolar a área do tráfego humano. O sítio fica em um afloramento rochoso cortado por uma estrada que dá acesso a uma propriedade rural. Em parceria com a prefeitura de Sousa, o projeto planeja desviar a estrada para impedir a passagem de carros, motos, pessoas e animais sobre as pegadas. Também serão instaladas placas de sinalização destacando a importância dos registros fósseis.
A pesquisa é fomentada pela Secretaria de Ciência e Tecnologia da Paraíba, que mantém um complexo científico no Sertão, incluindo o radiotelescópio BINGO. A descoberta da maior pegada de dinossauro do Brasil representa um marco para a paleontologia nacional e reforça o potencial científico da região.



