Rodízio de brigadeiros transforma confeitaria e impulsiona faturamento em Porto Alegre
Você pagaria para comer brigadeiro à vontade? Essa ideia inusitada tem lotado uma pequena confeitaria na Cidade Baixa, em Porto Alegre, e transformado completamente o negócio da confeiteira Leandra Winck. O rodízio de brigadeiros, criado como alternativa para atrair mais clientes à loja física, impulsionou a produção diária para até 10 mil unidades e aumentou o faturamento em mais de 200%.
Da engenharia de minas à paixão pela cozinha
A trajetória de Leandra começou quando ela ainda era estudante de engenharia de minas e percebeu que sua verdadeira vocação estava na cozinha. Para complementar a renda, vendia brigadeiros pela cidade. "Eu saía com uma caixinha. E assim a dedicação de dez minutos zerava a caixinha", relembra. A saudade da confeitaria falou mais alto, e ela abandonou a faculdade para transformar o hobby em profissão.
Entre vendas na rua e encomendas, juntou R$ 20 mil para abrir a primeira loja — sozinha. O começo foi caótico. Na inauguração, a loja encheu além do esperado, e a mãe de Leandra, Lili Schaefer, que tinha ido apenas para ajudar por uma semana, nunca mais saiu. Hoje, é funcionária fixa. "Eu sou responsável pelas massas, pelos brigadeiros, fazer as massas, os salgados, as tortas", diz.
Crescimento e adaptação às demandas
Com a demanda crescente, Lili se dedicou até a aprender o básico de panificação em uma padaria da cidade: "Aprendi o básico". Ela lembra o salto na produção: "Se eu fazia 100 salgados, hoje eu faço 1000, 2000". Apesar das encomendas crescentes e das vendas por aplicativo, a loja seguia com pouco movimento. A virada veio quando Leandra decidiu criar o rodízio, inicialmente só de brigadeiros.
O formato ganhou reforço com salgados e itens variados, como batata frita, cachorro-quente e pizza. A operação exige cerca de 20 funcionários nos fins de semana e preparação que começa já na quinta-feira. O rodízio adulto custa R$ 54,90.
Viralização e aprendizado com os erros
O vídeo que impulsionou o negócio foi gravado por amigos influenciadores — clientes da casa. "A gente viu potencial naquilo", conta Rodrigo Martins, que, ao lado de Andressa Tacques, publicou o conteúdo de forma espontânea. O post viralizou em dois dias. "Acho que foi a principal virada de chave", diz Rodrigo sobre a combinação inusitada de doces e salgados no mesmo rodízio.
A repercussão trouxe tanto elogios quanto dificuldades. No primeiro fim de semana, houve falhas no atendimento. Leandra reconheceu rapidamente os erros. "A gente entra em contato com os clientes e fala de novo que a gente sabe que errou, a gente admite". Ela destaca a importância de aprender com as críticas: "Às vezes, para ti conseguir um cliente é muito difícil e pra ti perder, uma coisinha basta".
Investimentos e conselhos para empreendedores
O sucesso repentino levou à necessidade de investimento. O faturamento mensal passou a R$ 108 mil, e Leandra decidiu reinvestir tudo na operação:
- Troca de fiação
- Novas fritadeiras
- Ampliação do espaço
- Reforma completa do prédio
"Todo dinheiro que entrou saiu com um investimento", explica. Hoje, eventos chegam a reservar até 50 lugares exclusivamente para o rodízio. A confeiteira se emociona ao lembrar da trajetória e diz que persistir foi essencial. "Vai dar certo. Porque às vezes a gente pensa em desistir, muitas vezes. Mas vai, segue que vai dar certo, vai ter sucesso, vai fazer o que tu gosta, que tu ama".
Para quem pensa em empreender, ela também deixa um conselho: "Se tu não tentar, como é que tu vai saber que deu certo?" O rodízio funciona apenas aos sábados, estratégia para manter a exclusividade e controlar a operação, embora Leandra estude ampliar para sextas-feiras.



