O Brasil acaba de conquistar um lugar de destaque no cenário mundial da gastronomia. O queijo Morro Azul, produzido de forma artesanal na cidade de Pomerode, no Vale do Itajaí (SC), foi incluído na prestigiada lista dos melhores queijos do planeta pela Culture Magazine, uma das publicações mais respeitadas do setor nos Estados Unidos. A seleção foi divulgada no dia 9 de janeiro de 2026.
O sabor e o processo de um campeão
O reconhecimento internacional celebra um produto único. O Morro Azul é conhecido por sua alta cremosidade e por um processo de maturação que dura 20 dias. É nessa fase que ele desenvolve seu sabor, aroma e textura característicos, além de eliminar naturalmente toda a lactose.
Juliano Mendes, sócio da Vermont Queijos Especiais, responsável pela produção, detalha a evolução do sabor. Nos primeiros dias, o queijo é bastante suave. Após cerca de 30 dias da produção, ganha maior intensidade, com notas aromáticas que lembram manteiga, fungos nobres e até toques sutis de cebola e alho. "A cebola e alho são aromas que surgem naturalmente, fruto da fermentação, tipo os aromas de vinhos", explica Juliano, que comanda a queijaria ao lado do irmão.
Ingredientes simples, técnica apurada
A receita do Morro Azul valoriza a simplicidade e a qualidade. Segundo os produtores, são usados apenas leite, cálcio e fermentos lácteos. O segredo da cremosidade está em um processo voltado para a retenção de umidade. Após ser salgado, o queijo é envolto em um anel de carvalho, que garante estrutura e contribui para a composição final do aroma.
"Na maturação, enzimas e microrganismos atuam sobre proteínas e gorduras, transformando a massa. O queijo perde umidade, ganha complexidade de sabores, muda de textura e pode formar casca ou mofos característicos. Temperatura, umidade e tempo definem o resultado final", esclarece Juliano Mendes.
Harmonização e origem do nome
Para aproveitar ao máximo o Morro Azul, os especialistas recomendam harmonizá-lo com bebidas que complementem sua cremosidade. Para cervejas, as sugestões são estilos de baixo amargor, como Kölsch, Pilsen e Weizenbier. Já nos vinhos, a combinação ideal é com brancos secos e refrescantes, como Pinot Gris e Chablis, ou espumantes secos. O queijo também pode ser aquecido para ficar ainda mais cremoso e é perfeito para acompanhar pães, geleias de frutas ou mel.
O nome Morro Azul é uma homenagem a um dos cartões-postais de Pomerode. O local oferece uma vista panorâmica da cidade e, durante a primavera e o verão, ganha tons azulados com a florada das hortênsias, inspirando o batismo do queijo que agora coloca o Brasil no mapa mundial dos laticínios finos.