Produtor capixaba inova com sabores da Mata Atlântica em ovos de Páscoa
Produtor inova com sabores da Mata Atlântica em ovos de Páscoa

Produtor capixaba inova com sabores da Mata Atlântica em ovos de Páscoa

Em Santa Teresa, na Região Serrana do Espírito Santo, um produtor rural e empresário está revolucionando as receitas tradicionais de ovos de Páscoa. Marcos Rediguieri decidiu agregar valor aos chocolates utilizando frutas nativas da Mata Atlântica e de sua propriedade rural, criando sabores autorais que incluem jaca, kiwi, manga, jabuticaba e castanha de sapucaia.

Inovação como estratégia para enfrentar a alta do cacau

A iniciativa surge em um contexto de aumento significativo nos preços do chocolate, impulsionado pela queda na produção mundial de cacau em 2024 devido à crise climática. Com menos sementes disponíveis no mercado, o preço da matéria-prima subiu, impactando diretamente o produto final. Rediguieri investiu em um desidratador para prolongar a vida útil das frutas, visando um aumento de até 15% nas vendas nesta Páscoa.

"A jaca eu posso dizer que é o carro-chefe. O pessoal tem procurado bastante o nosso chocolate branco com jaca, que é um sabor bem especial. E a gente tem notado um aumento nas nossas vendas nos últimos anos", afirmou o chocolateiro.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Produção artesanal e qualidade do cacau capixaba

A fabricação dos chocolates é totalmente artesanal, realizada pela família Rediguieri em uma fábrica próxima à propriedade rural. A plantação, iniciada em 2012 com a variedade Parazinho, foi aprimorada com enxertos de espécies mais produtivas e resistentes a pragas. Atualmente, a propriedade produz 1,5 tonelada de cacau fino anualmente, transformada em 3 toneladas de chocolate.

"Cada chocolate do Espírito Santo, dependendo do clima, do solo, da terra em que o cacau foi cultivado, pode ter aromas e sabores diferentes. Então, há uma diversidade enorme no estado hoje. Tanto de cacau de qualidade quanto de chocolate também", destacou o empresário.

Queda no preço do cacau não beneficia consumidores na Páscoa

Apesar de o preço do cacau ter caído aproximadamente 30% neste ano, a redução não deve impactar os preços dos chocolates disponíveis nas prateleiras. Maíra Chagas Welerson, presidente do Sindicato da Indústria de Produtores de Cacau e Balas, Doces e Conservas Alimentícias do Espírito Santo (Sindicacau), explicou que a indústria opera com contratos futuros.

"A indústria funciona com contratos futuros. Então, o insumo que é produzido hoje já foi negociado há muito tempo. Para a Páscoa, que está batendo à porta, as produtoras de chocolate começaram a produzir em janeiro ou fevereiro do ano passado", disse.

Ela acrescentou que o chocolate atualmente no mercado foi fabricado com amêndoas de cacau adquiridas a preços até 30% maiores. Em fevereiro de 2025, o valor da saca chegou a R$ 3,5 mil, enquanto atualmente está abaixo de R$ 1 mil. Embora a queda seja positiva para os compradores de matéria-prima, para os produtores de cacau ela representa prejuízos, já que não cobre os custos de cultivo.

Perspectivas para o mercado de chocolate

A estratégia de inovação com ingredientes locais não apenas agrega valor aos produtos, mas também oferece uma alternativa para enfrentar a volatilidade dos preços do cacau. A diversificação de sabores e o foco na produção artesanal destacam o potencial único do chocolate capixaba, que continua a conquistar consumidores em busca de experiências gastronômicas diferenciadas.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar