Pequenos pratos e grandes vinhos: o novo ritual gastronômico italiano
As tradicionais refeições italianas, com suas longas sequências de antipasto, primo, secondo e queijos, estão sendo desafiadas por uma tendência disruptiva que vem ganhando força em Turim, capital do Piemonte. No lugar das refeições intermináveis, o que faz sucesso agora são pequenas porções para serem combinadas com diferentes tipos de brancos e tintos, revitalizando a gastronomia local de forma inovadora.
Uma quebra na tradição secular
As refeições na Itália perpetuam um ritual criado pela França no século XVII, na corte de Luís XIV. Seja em um restaurante simples ou em alguma celebração familiar, a sequência dos pratos de salada, massa e carne é um orgulho nacional. No entanto, alguns estabelecimentos em Turim resolveram quebrar essa tradição de refeições intermináveis, adotando o esquema "il piattini", ou em bom português, os pratinhos.
Por lá, pequenas porções são servidas em belos pratinhos que parecem ter saído do armário de louças da vovó, do tamanho de pires. Assim, os comensais são convidados a experimentar mais receitas, criando uma experiência gastronômica diversificada e dinâmica.
A ascensão dos pratinhos e suas harmonizações
Com mais diversidade de sabores à mesa, pode-se também provar diferentes vinhos, que costumam ser a especialidade desses lugares. A versão italiana das tapas espanholas tem origem numa tradição piemontesa, a merenda sinoira, uma espécie de lanche feito a partir das 17h com especialidades locais.
O negócio voltou às mesas agora justamente na capital do Piemonte, Turim, onde restaurantes como o Caffè dell'Orologio têm se destacado. Da cozinha do lugar, comandada por jovens chefs, saíram pratos como:
- Suflê de queijos com cebola
- Bacalhau preparado com técnica refinada
- Vitelo tonnato, um filé cozido em baixa temperatura e servido em finas fatias
Explorando a diversidade vinícola do Piemonte
Com essas pequenas porções, é possível provar desde um saboroso Pét-Nat das uvas Malvasia e Moscato até vinhos de uvas ancestrais como Pelaverga, Neretta cuneese e Chatus, cultivadas no sopé do Monviso. Curiosamente, na terra do Barolo e do Barbaresco, esses restaurantes não vendem esses dois vinhos tradicionais.
A ideia é mostrar o quanto a região é diversa, tanto no comer quanto no beber, oferecendo uma experiência enológica mais ampla e surpreendente para os apreciadores.
Sucesso entre tradicionalistas e inovadores
No caso dos italianos, um povo muito apegado a suas tradições, a experimentação dos pratinhos e as harmonizações deles com vinhos da terra está sendo surpreendentemente bem-sucedida. As filas nas portas dos restaurantes que investem no esquema "il piattini" comprovam essa deliciosa mudança de hábitos.
A refeição é frequentemente finalizada com uma panacota cremosa acompanhada de redução de vinhos, fechando com chave de ouro uma experiência gastronômica que desafia convenções sem perder a essência da qualidade italiana. Esta tendência representa não apenas uma mudança nos hábitos alimentares, mas uma verdadeira revolução na forma como os italianos e visitantes experimentam a rica cultura gastronômica do país.



