Ovos de Páscoa inusitados: curiosidade que se transforma em vendas no interior de SP
Se o consumidor é conquistado primeiro pelo olhar, empreendedores do interior de São Paulo têm apostado em ovos de Páscoa com visual inusitado, como versões inspiradas em sushi ou que combinam cookie com brownie. O que à primeira vista pode despertar apenas curiosidade acaba se transformando em vendas e também conquista o paladar dos clientes. Mas em meio às novidades, há quem prefira manter as receitas tradicionais, que continuam no topo da preferência. Para entender se os sabores diferentes são, de fato, um sucesso de vendas ou apenas chamam atenção, ouvimos três empreendedores que se dedicam integralmente à produção nesta época do ano.
O 'brookie' de Tatuí: cookie + brownie
Há sete anos, uma doceira de Tatuí produz ovos de Páscoa feitos com massa de cookie. Em Tatuí (SP), a doceira Camila Alexandre Lourenço Alves, de 41 anos, trabalha com doces há sete anos. Ela conta que começou a fazer cookies, um produto raro na cidade na época, para complementar a renda e realizar o sonho de comprar um terreno. Para a Páscoa, a aposta foi adaptar a ideia para os ovos. A mais nova invenção de Camila é o "brookie", um produto que mistura a massa de cookie com a de brownie, e que se tornou um dos mais procurados em sua doceria.
“A ideia veio porque bastante gente pede o brownie aqui na loja. Então, como a gente não queria tirar a ideia de ter o cookie, nós fizemos o brownie. O pessoal também começou a mandar vídeo pedindo e a gente incluiu ele no cardápio esse ano, foi um sucesso”, relata a empreendedora. O processo é artesanal e exige tempo. A doceira dedica metade do dia à produção e afirma já ter feito cerca de 140 unidades sob encomenda. "Levo umas 12 horas por dia para fazer a produção, pois cada ovo é personalizado com a massa e o recheio que o cliente escolhe", explica. A produção começa sempre um dia antes da entrega, garantindo que os ovos cheguem frescos. Tudo é feito exclusivamente por Camila, sob encomenda. Ao todo, são quatro tipos de massa e seis opções de recheio.
Essa não é a primeira vez que a doceira trabalha com a produção de ovos de cookie. “O chocolate você pode comer o ano inteiro e o ovo de cookie é só na Páscoa. Ele é diferente, é isso que atrai os clientes. Quando os clientes recebem, eles elogiam bastante, falam que o ovo é bonito, pesado, que fica bem firme”, aponta. Para Camila, os elogios costumam surgir depois que os clientes entendem o formato inusitado do ovo, feito à base de cookie. Sempre que lança um novo cardápio, a clientela entra em contato em busca das novidades. Na doceria, os produtos custam, em média, R$ 77, com opções que variam de R$ 59,90 a R$ 94,90. “Eu tenho clientes fixos desde a primeira venda de ovos que compram até hoje. Invisto em sabores novos de acordo com o mercado, né? Eu procuro inspiração na internet mesmo, vejo o que está viralizando, os amigos mandam, os clientes pedem. Acho que hoje em dia todo mundo recorre à internet”, explica.
Ovo de sushi em Itapetininga
Há 20 anos atuando como sushiman em Itapetininga (SP), Cícero Ribeiro dos Santos, de 36 anos, viu a vida mudar durante a pandemia. Após o fechamento do restaurante onde trabalhava, passou a fazer delivery na própria casa. A ideia do ovo de sushi surgiu a partir de vídeos nas redes sociais e também de pedidos dos clientes. "Resolvi testar a ideia, fiz para minha filha e ela amou. Então, adicionamos ao cardápio nessa data especial", explica Cícero. Ele aponta que a produção do ovo é trabalhosa. O produto precisa passar horas dentro do freezer para atingir a consistência necessária antes de ser empanado. “Sempre faço umas três horas antes de começar o meu expediente, para manter tudo fresquinho e de qualidade. São 3 sabores no total, salmão cru, salmão grelhado e camarão”, disse.
O sucesso, segundo ele, foi imediato. Em apenas um dia de divulgação, o restaurante recebeu mais de 50 encomendas do produto, vendido por R$ 90. "Nossos clientes enlouqueceram, todos amaram a novidade. Tivemos feedbacks positivos até de pessoas que estavam provando comida japonesa pela primeira vez", aponta. Ao g1, a filha do profissional, Kauani Custódio Falcão, de 20 anos, contou que foi ela quem mostrou o vídeo ao pai. “Alguns clientes já tinham comentado sobre. Achei que seria um prato que venderia por conta da data e também por ser bem chamativo. E eu estava certa”, brincou ao relembrar. Segundo ela, o sucesso está ligado ao período, como a Sexta-Feira Santa e a Páscoa, além da qualidade e da semelhança com o formato de um hot roll. A jovem também é responsável pela divulgação do restaurante nas redes sociais. “Acho que todos os anos de Páscoa será sucesso. Eu não imaginava que seria tão forte a procura”, compartilhou.
O tradicional ainda tem espaço
Também em Itapetininga, uma fábrica de chocolates com mais de uma década de atuação mostra que os clássicos ainda têm espaço. O empresário Felipe Masztaler, de 44 anos, explica que a produção para a Páscoa começa com a análise das tendências do ano, sem abrir mão das receitas tradicionais. Atualmente, 94 pessoas trabalham no local e são responsáveis por produzir, até a Sexta-feira Santa (3), cerca de 18 mil ovos. Neste ano, o público encontra 18 sabores na linha de ovos e 30 opções de bonecos de chocolate com temática de Páscoa.
Conforme o empresário, o sabor que tem mais saída ainda é o tradicional de chocolate ao leite. Mas esse é acompanhado de outros sucessos, como trufados de pistache, trufado de avelã, branco e cereja ao licor. Para ele, quem atua no ramo, precisa estar atento às novidades e buscar inovação. "Esses são muito procurados, pois tratam-se de produtos ‘coringa’ na linha de Páscoa. Percebemos que os clientes estão cada vez mais exigentes não só quanto à qualidade, mas também em provar ‘experiências’ diferentes", disse. Em comparação aos produtos considerados tradicionais no cardápio do local, os novos sabores sofrem um aumento crescente à cada ano. Em média, o preço de um ovo na fábrica pode custar R$ 45. O empresário reforçou que é fundamental seguir investindo em novos sabores. "[Os clientes] procuram novidades tanto em formatos, quanto em sabores e tamanhos. Nós, fabricantes de chocolate, costumamos dizer que a Páscoa é o nosso Natal", relatou Felipe.



