Cafeterias brasileiras conquistam ranking mundial e elevam prestígio do café nacional
Brasil no ranking mundial das melhores cafeterias

Cafeterias brasileiras conquistam posição de destaque em ranking mundial de excelência

A gastronomia brasileira está demonstrando com maestria que o país não é apenas um gigante produtor de café, mas também uma referência crescente na arte da degustação e apreciação da bebida. A recente ascensão de estabelecimentos nacionais no prestigiado ranking World's 100 Best Coffee Shops comprova esse movimento de valorização internacional do café brasileiro.

Do quarto adaptado ao reconhecimento global

A trajetória do Cupping Café, localizado no bairro da Vila Madalena em São Paulo, ilustra perfeitamente essa transformação. Fundado em 2017 pelo arquiteto Gabriel Penteado, que adaptou seu antigo quarto na casa dos pais para criar o negócio, o estabelecimento surgiu em um momento em que o mercado de cafés gourmet ainda engatinhava no Brasil. "Não tinha conhecimento nenhum", relembra Penteado sobre seus primeiros passos no empreendimento.

Hoje, o Cupping Café não apenas se consolidou como referência nacional, mas também conquistou pela segunda vez uma posição no principal ranking mundial de cafeterias. A ele se junta agora a carioca Coffee Five, instalada em uma galeria no centro do Rio de Janeiro, formando uma dupla brasileira nesse seleto clube internacional.

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Um mercado em expansão e profissionalização

Essa conquista representa um passo crucial para a valorização do café nacional em um momento histórico especial: no ano que vem completam-se 300 anos da chegada do café ao Brasil. Apesar de o país liderar a produção global com 38% do mercado, paradoxalmente a maior parte dos grãos de alta qualidade era tradicionalmente exportada, com o consumo interno focando em versões mais básicas.

"Há apenas vinte anos conhecemos outros perfis de café. Estamos descobrindo aos poucos esse novo paladar", observa Celírio Inácio, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). Ainda que o café especial represente apenas 1% do volume total no varejo nacional, os sinais de crescimento são promissores.

Nova geração e profissionalização impulsionam o setor

Dados da Euromonitor International revelam que a faixa etária dos 16 aos 25 anos assumiu a liderança como maiores interessados na bebida em 2025, motivada pela popularização de cafeterias e pela curiosidade em explorar nuances de sabor. Esse interesse renovado encontra eco na crescente profissionalização dos baristas e especialistas do setor.

Isabela Raposeiras, empresária pioneira na formação de profissionais com sua escola e cafeteria Coffee Lab em São Paulo, confirma essa tendência: "O interesse pelos cursos, tanto de formação quanto para amantes de café, é enorme. As pessoas estão cada vez mais interessadas em apreciá-lo da melhor forma".

Experiências sensoriais e métodos científicos

Nas cafeterias de ponta, o preparo do café se transforma em verdadeira ciência. A carioca Coffee Five, por exemplo, oferece dezoito versões diferentes da bebida preparadas com equipamentos que lembram um laboratório de química, com preços variando entre 10 e 30 reais.

"A Five quer proporcionar experiências. Quero que a pessoa aprenda algo novo e que cada visita seja sensorial e única", explica a proprietária e especialista Rafaela Nascimento. Essa abordagem meticulosa reflete uma tendência global onde estabelecimentos como a americana Onyx Coffee Lab (primeira colocada no ranking), a norueguesa Tim Wendelboe e a salvadorenha Alquimia Coffee elevam o café a uma experiência gastronômica sofisticada.

A presença brasileira nesse cenário internacional não apenas ilumina o potencial do país como destino para apreciadores de café, mas também sinaliza uma mudança cultural significativa. O Brasil está gradualmente descobrindo e valorizando a riqueza de seus próprios grãos, transformando uma tradição secular em uma experiência contemporânea de prestígio e sofisticação.

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