Bar em Rio Preto inova com chopps alemães criados com inteligência artificial
Em uma fusão entre tradição cervejeira e tecnologia de ponta, um bar especializado em cervejas localizado em São José do Rio Preto (SP) desenvolveu chopps no estilo alemão com o auxílio da inteligência artificial. As criações incluem três estilos clássicos regionais da Alemanha – Altbier, Kölsch e Rauchbier – que são pouco produzidos na região, além de uma cerveja com tangerina e manjericão lançada recentemente.
IA como ferramenta de pesquisa e refinamento
O mestre cervejeiro Alexandre Zanin, de 50 anos, responsável pelas inovações, explicou ao g1 que a tecnologia foi utilizada como uma ferramenta de pesquisa avançada. A ideia surgiu diante da dificuldade de encontrar técnicas detalhadas sobre esses estilos alemães no Brasil, adaptadas aos insumos disponíveis localmente.
Alexandre enfatiza que a inteligência artificial não criou as receitas do zero, mas atuou como um aliado no processo de refinamento. "A IA não criou a receita. Ela foi aperfeiçoando o que propomos e fez sugestão de maltes, leveduras, lúpulos e processos que poderíamos seguir. Mas, a decisão final foi nossa", comenta o especialista.
O processo envolveu alimentar a ferramenta com uma vasta gama de informações, incluindo:
- Dados históricos de cada estilo cervejeiro alemão
- Diferenças entre versões clássicas e modernas
- Disponibilidade de maltes no mercado brasileiro
- Características específicas de leveduras e processos de fermentação típicos de cada região da Alemanha
Resultados sensoriais e reconhecimento em concursos
As bebidas produzidas seguem rigorosamente a "escola" alemã em termos sensoriais. A Altbier e a Kölsch apresentam um perfil leve e alta drinkability, enquanto a Rauchbier, com seu defumado suave, é mais indicada para consumidores familiarizados com cervejas artesanais.
Mesmo com o apoio tecnológico, ajustes manuais foram essenciais. Parâmetros como teor alcoólico, amargor e perfil de dulçor exigem decisões técnicas que não podem ser totalmente automatizadas, destacando o papel indispensável do mestre cervejeiro.
O uso da inteligência artificial parece ter contribuído para o reconhecimento técnico das receitas. Duas das três cervejas desenvolvidas com esse apoio participaram do Brazilian Beer Awards em novembro de 2025 e conquistaram medalhas de bronze.
Os chopps do estabelecimento, chamado Vila Dionísio, foram disponibilizados para degustação pública durante o Summer Fest promovido pelo Shopping Iguatemi, entre os dias 22 e 25 de janeiro.
Tradição em cervejas com frutas e especiarias
A cervejaria possui uma trajetória consolidada no desenvolvimento de bebidas com frutas e especiarias há pelo menos oito anos. Desde 2023, quando começou a participar de concursos, as criações da casa já acumulam mais de 30 medalhas em competições nacionais e até no sul-americano em Buenos Aires.
Em 2024, no Concurso Brasileiro da Cerveja, o estabelecimento destacou-se com:
- Medalha de ouro na categoria Brazilian Fruit Beer com a cerveja de Cupuaçu
- Medalha de prata com a de Bacuri
- Medalha de bronze com a de Cajá
Na ocasião, a cervejaria recebeu o título de melhor do estado de São Paulo e a oitava melhor do Brasil. Alexandre Zanin ressalta que as cervejas só são premiadas quando atingem padrões internacionais exigidos pelos concursos, o que torna essas conquistas ainda mais significativas.
O segredo por trás do sucesso, segundo o mestre cervejeiro, está no laboratório de criação da cervejaria, onde os profissionais experimentam livremente uma ampla gama de estilos e sabores, dando asas à imaginação enquanto mantêm o rigor técnico necessário para produções de excelência.