Aos 91 anos, morre em Goiás Antônio Flamínio, pioneiro da 1ª turma da PRF
Morre pioneiro da 1ª turma da PRF em Goiás aos 91 anos

Aos 91 anos, faleceu em Goiânia o inspetor aposentado Antônio Aparecido Flamínio, um dos integrantes da histórica primeira turma da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Goiás. A morte do veterano policial, ocorrida no domingo (11), após passar mal na quarta-feira (7), gerou uma onda de comoção entre familiares, amigos e colegas de profissão, que relembram sua trajetória marcada por coragem e dedicação ao serviço público.

Uma despedida tranquila e consciente

Em entrevista, sua filha, Luciana Flamínio, compartilhou os últimos e intensos momentos ao lado do pai. "Ele ficou lúcido até os últimos dias no hospital", contou ela. "A gente teve muita troca, conseguimos nos despedir e falamos muita coisa. Foi muito intenso. Ele me reconfortou e me deixou tranquila", relatou, emocionada.

Luciana destacou que, mesmo com dificuldades de locomoção, Flamínio mantinha uma rotina ativa, fazendo exercícios físicos e fisioterapia. Morando sozinho e completamente independente, ele dirigia, fazia suas próprias compras e cuidava de todas as suas necessidades. Um de seus hábitos noturnos era jogar uma hora de paciência, atividade que considerava um treino para o cérebro.

O legado de um pioneiro das estradas goianas

O Sindicato dos Policiais Rodoviários Federais de Goiás (SinPRF-GO) emitiu uma nota enaltecendo a carreira de Flamínio, descrevendo-o como um exemplo de coragem e pioneirismo. Sua história com a PRF começou em 1959, na cidade de Anápolis, quando apenas 15 homens deram os primeiros passos para estabelecer a instituição no estado.

Naquela época, conforme destacou o sindicato, as rodovias eram caminhos de terra, marcados pelo isolamento. "Eles chegaram antes do asfalto, antes da estrutura, levando disciplina, presença do Estado e compromisso com o serviço público", afirmou a entidade. Flamínio teve papel decisivo na implantação e no desenvolvimento das BRs 060 e 153.

Um dos marcos de sua carreira foi ter atuado como o primeiro motociclista de escolta do estado, tendo a honra de escoltar o ex-presidente Juscelino Kubitschek durante os trabalhos de construção de Brasília. O sindicato ressaltou que ele participou de operações que exigiam grande preparo técnico e coragem, ajudando a consolidar o trabalho policial nas rodovias federais goianas.

Vida pessoal e paixões

Fora do serviço, Antônio Flamínio era um homem de hábitos simples e paixões definidas. Torcedor fanático do Vila Nova, seu time do coração, também gostava de pescar com amigos na região sul de Goiás. Sua independência e vitalidade, mantidas até os 91 anos, impressionavam a todos que o conheciam.

O sindicato finalizou sua homenagem afirmando que seu legado permanece vivo na história da PRF em Goiás e nas estradas que ajudou a construir. "Um exemplo de coragem, pioneirismo e amor à missão", concluiu o texto, em um tributo à memória de um dos pioneiros que ajudou a escrever os primeiros capítulos da segurança viária no estado.