Crítica: Show '60 anos de Afro samba' emociona com Aline Paes e Pedro Franco
Show '60 anos de Afro samba' emociona no Rio

Na noite de 24 de abril de 2026, o teatro do Acaso Cultural, no Rio de Janeiro, foi palco de uma celebração memorável: os 60 anos do álbum "Os afro-sambas de Baden e Vinicius" (1966), um marco na música brasileira. A cantora Aline Paes e o violonista Pedro Franco uniram-se em um duo que encantou o público, mesclando tradição e inovação.

Um momento solo marcante

O show destacou-se por um momento solo de Aline Paes, que, ao acionar um pedal, criou uma base rítmica sobre a qual soltou sua voz elástica em "Lamento de Exu". A apresentação evidenciou a afinação, habilidade rítmica e segurança da cantora, que desde 2009 atua nas brechas do mercado musical, resistindo ao mainstream pop-funk-sertanejo-pagodeiro-forrozeiro.

Duo de longa data

Aline Paes e Pedro Franco formam duo desde 2019. Pedro, natural de Porto Alegre e radicado no Rio, iniciou-se no cavaquinho aos sete anos, passou ao bandolim aos 13 e ao violão aos 16. Já tocou com Maria Bethânia, Soraya Ravenle e Zélia Duncan, entre outras. Seu violão exuberante, de toque percussivo, foi destaque ao longo do show.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Repertório e emoção

A apresentação começou com "Canto de Iemanjá", onde Aline evocou o canto da orixá, seguido por "Bocochê", sem a preocupação de reproduzir fielmente as gravações. Com seriedade e respeito, os artistas brincaram sobre os ritmos de "Tempo de amor", "Canto do caboclo Pedra Preta" e "Canto de Ossanha". Além do álbum, incluíram "Consolação" (1963), "Labareda" (1962) e "Oduduá", de Moacir Santos, em homenagem ao centenário do maestro.

Homenagens e lágrimas

Pedro Franco, visivelmente emocionado, homenageou Baden Powell com o samba "Black Powell" em seu solo. Aline Paes, com seu senso rítmico apurado, transformou "Tristeza e solidão" em um afro-samba-canção belíssimo. O show encerrou com "Berimbau", standard guardado para o bis, e honrou o álbum antológico, também celebrado por Marcos Sacramento e Zé Paulo Becker.

É tempo de amor redobrado por esses afrosambas que, após 60 anos, continuam a mover moinhos na música brasileira, seduzindo intérpretes como Aline Paes e violonistas como Pedro Franco.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar