Zezé Polessa se emociona ao explicar sua bandeira do feminismo em entrevista
A atriz Zezé Polessa, aos 72 anos, foi a convidada do programa semanal da coluna GENTE, onde falou sobre sua peça 'Os Olhos de Nara Leão', sua visão sobre o feminismo e experiências pessoais com relacionamentos abusivos. A conversa, disponível no canal VEJA+ no YouTube e em outras plataformas de streaming, revelou momentos emocionantes e reflexões profundas da artista.
Revisitando Nara Leão no teatro
Zezé Polessa explicou que a vontade de interpretar Nara Leão surgiu durante uma conversa informal com o amigo Miguel Falabella, ainda na pandemia de Covid-19. A peça, em cartaz no Teatro Clara Nunes, no Rio de Janeiro, apresenta Nara como uma figura do futuro, com 83 anos, permitindo que a atriz seja ela mesma no palco, sem fingimentos teatrais.
"A peça começa com 'boa noite, não se surpreenda eu estou de volta'. É ela ali, não é um personagem. E o fato de ser ela também permite que eu seja eu", disse Zezé, destacando a conexão pessoal com a homenageada.
O machismo na Bossa Nova e o lugar de musa
A atriz abordou o machismo presente no movimento da Bossa Nova, relembrando que Nara Leão foi muitas vezes reduzida ao papel de musa, em vez de reconhecida por seu talento musical. "Musa a gente sabe o que que é, né? É aquela coisa que fica no nichozinho, no pedestalzinho que não faz nada, a não ser inspirar os que fazem", criticou Zezé.
Ela brincou que Nara se considerava a "muda da Bossa Nova", não a musa, ressaltando como a artista foi pioneira em desafiar estereótipos de gênero na época.
Feminismo na prática e violência estrutural
Zezé Polessa se declarou feminista e relacionou essa posição às estatísticas alarmantes de feminicídio no Brasil. "A gente ainda assim, por conta do que sofre e vê sofrer pelo nível de feminicídio, uma estatística monstruosa, tem que ser feminista", afirmou.
Ela citou uma entrevista em que Nara Leão dizia "sem querer levantamos a bandeira do feminismo", destacando que, mesmo naquela época difícil, a artista já promovia mudanças. "Hoje ainda continua violento, porque o homem ainda não se trata desse problema, que é estrutural (o machismo). Isso precisa ser tratado", completou.
Experiências com relacionamentos abusivos
A atriz compartilhou lembranças dolorosas de relacionamentos passados, onde foi insultada e desrespeitada. "Eu lembro do primeiro homem com quem me relacionei e me chamou de 'burra', ele me chamou de 'anta'. Fiquei tão chocada", revelou Zezé, explicando que esses episódios se repetiram ao longo da vida.
Ela enfatizou a importância da independência feminina para sair de situações abusivas. "Agora, a mulher que não tem uma independência, não pode sair de um relacionamento (abusivo) desse", alertou, creditando sua formação educacional e acesso à cultura como fatores que fortaleceram sua consciência.
Foco no cinema e pausa nas novelas
Zezé Polessa afirmou que, por enquanto, não pretende retornar às novelas, priorizando o cinema. "Por enquanto não, porque a televisão me impediu muito de fazer cinema. Fiz muita novela, e televisão prende tudo", explicou.
Ela expressou entusiasmo com o momento atual do cinema nacional, que está "bombando lá fora e no Brasil", e planeja se dedicar mais a essa área artística.
Detalhes do programa GENTE
O programa semanal da coluna GENTE vai ao ar toda segunda-feira, com captação de imagens e edição de Libário Nogueira. Está disponível no canal da VEJA+ no YouTube; Samsung TV Plus (canal 2075), LG Channels (canal 126), TCL Channel (canal 10031) e Roku (canal 221); ou no canal VEJA GENTE no Spotify, na versão podcast.



