Wagner Moura atribui filme 'O Agente Secreto' a perplexidade com Bolsonaro
Moura: filme é consequência do governo Bolsonaro

Wagner Moura revela origem de filme e faz críticas políticas em entrevista internacional

O ator brasileiro Wagner Moura concedeu uma entrevista marcante ao programa Jimmy Kimmel Live! nesta quarta-feira (4), onde abordou temas políticos e cinematográficos com franqueza. Durante a conversa, Moura afirmou categoricamente que o filme "O Agente Secreto" é uma consequência direta da perplexidade que ele e o diretor Kleber Mendonça Filho sentiram durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Críticas ao ex-presidente e paralelos internacionais

"Esse filme não teria acontecido se não fosse por causa dele", declarou o ator, referindo-se a Bolsonaro. Moura aproveitou o momento para fazer uma comparação ousada, definindo o ex-mandatário como "o Trump brasileiro", mas com uma diferença crucial: "Mas o nosso Trump está na prisão". A declaração foi recebida com aplausos entusiásticos da plateia norte-americana.

Quando questionado por Kimmel sobre a sensação de ver Bolsonaro sendo punido pela trama golpista, o ator foi direto: "É uma sensação boa". Moura também refletiu sobre o contexto político brasileiro, argumentando que os ecos da ditadura militar ainda são muito presentes no país e que a eleição de Bolsonaro seria um reflexo desse legado.

Plano para o Oscar e dificuldades anteriores

O brasileiro revelou que, caso vença o Oscar de melhor ator, pretende fazer um agradecimento irônico similar ao que Jimmy Kimmel fez ao vencer o Critics Choice Awards, quando agradeceu a Donald Trump pelas "muitas coisas ridículas" que fazia diariamente. Moura considerou a ideia excelente e parece disposto a replicá-la na cerimônia do dia 15.

Para o grande evento, o protagonista de "O Agente Secreto" estará acompanhado da esposa, Sandra Delgado, e de três amigos, incluindo o ator Lázaro Ramos, como revelou em entrevista anterior ao Letterboxd. A conversa com Kimmel também abordou as dificuldades que Moura enfrentou para lançar o filme "Marighella" durante os anos de bolsonarismo, destacando os desafios da produção cultural em contextos políticos conturbados.

Reflexões sobre democracia e direitos civis

Em um momento de tom mais crítico, Wagner Moura mencionou as mortes de dois cidadãos americanos a tiros por agentes federais de imigração em Minneapolis, questionando a imagem internacional dos Estados Unidos. "Esse é o país que exporta para o resto do mundo a luta pelos direitos civis?", indagou. "Esse é o país de Martin Luther King?"

O ator expressou sua crença de que as punições à trama golpista no Brasil ocorreram com relativa rapidez porque o país conhece bem as consequências de viver sob uma ditadura, demonstrando uma visão otimista sobre a resiliência das instituições democráticas brasileiras.

Momento descontraído e homenagem carnavalesca

A entrevista também teve momentos leves, quando Jimmy Kimmel mostrou uma imagem do Carnaval de Olinda onde Moura foi homenageado com um dos tradicionais bonecões da folia. O apresentador tentou entender a homenagem e brincou perguntando se o ator havia levado o bonecão para casa. "Eu levaria para todas as reuniões de família", divertiu-se Moura, mostrando seu bom humor característico.

Esta não foi a primeira aparição do brasileiro no talk show. Em 2016, ele esteve no programa para divulgar a série "Narcos", na qual interpretou Pablo Escobar, papel que lhe rendeu uma indicação ao Globo de Ouro na categoria de melhor ator em série dramática. A trajetória internacional de Moura continua a chamar atenção, misturando arte, política e engajamento social de maneira singular.