O ator Gabriel Leone, de 32 anos, vive um momento de expansão na carreira. Conhecido por interpretar Ayrton Senna na série da Netflix e por seu papel no filme O Agente Secreto, ele acaba de brilhar nos palcos com Hamlet, de Shakespeare, e se lança como cantor com o álbum Minhas Lágrimas. Em entrevista, Leone reflete sobre essa fase de realizações e a coragem necessária para se expor artisticamente.
Um momento de realização pessoal
Leone descreve a fase atual como de muita realização. Embora projetos como O Agente Secreto tenham grande proporção, ele destaca que tanto Hamlet quanto o disco nasceram de desejos pessoais e íntimos, que demoraram a se concretizar. “Eu queria fazer na hora certa, da forma certa”, afirma. Para ele, essa é mais uma etapa da caminhada artística.
A escolha de Hamlet
O ator revela que leu Hamlet na escola e ficou impressionado. Ao estudar Shakespeare como ator, o personagem tornou-se um sonho. “Sempre soube do tamanho do desafio, mas queria chegar nele ainda jovem”, explica. Hamlet é um personagem marcado por dúvidas e crises existenciais ligadas à juventude, e Leone sente que encontrou o equilíbrio para interpretá-lo. Ele ressalta a atualidade da obra, que aborda deslocamento, angústia e identidade.
O disco Minhas Lágrimas
O primeiro disco de Leone, Minhas Lágrimas, é uma coleção de canções menos conhecidas da MPB que sempre o emocionaram. “Eu ouço música o dia inteiro, tenho mais de 3 mil discos de vinil em casa”, conta. O maior desafio foi encontrar sua própria voz, sem a máscara de um personagem. “Como ator, cantei a serviço da dramaturgia. Agora sou eu ali, sem máscara.”
O frio na barriga
Para Leone, subir ao palco como cantor provoca o mesmo frio na barriga que estrear um personagem. Ele considera isso positivo: “Quando isso para de acontecer, talvez você tenha perdido o encanto.” Com a música, o nervosismo é mais intenso por ser uma estreia pessoal. “Cantar é um ato de coragem.”
Sonhos futuros
Questionado sobre sonhos não realizados, Leone revela o desejo de dirigir, tanto no cinema quanto no teatro. “Ainda tenho muito para explorar dentro da arte”, diz. Ele aprendeu a respeitar o tempo das coisas, como aconteceu com o disco e Hamlet. “Os projetos encontram a gente na hora certa.”
A entrevista foi publicada na edição nº 2995 da revista VEJA, em 15 de maio de 2026.



