Fascínio por Pablo Escobar persiste 30 anos após sua morte e influencia cultura brasileira
Fascínio por Pablo Escobar persiste e influencia cultura brasileira

O fascínio duradouro por Pablo Escobar na cultura brasileira contemporânea

Trinta anos após sua morte, o megatraficante colombiano Pablo Escobar continua a exercer um fascínio peculiar sobre artistas e o público brasileiro. Essa questão ganhou novos contornos após a apreensão de um colar com a foto do criminoso na residência do funkeiro MC Ryan SP, durante uma operação da Polícia Federal realizada na quarta-feira (15).

A megaoperação, que investiga uma organização criminosa acusada de lavagem de dinheiro e transações ilegais superiores a 1,6 bilhão de reais, resultou na prisão de diversas pessoas, incluindo MC Pozo do Rodo, e no sequestro de bens. No entanto, foi o pingente dourado no formato do estado de São Paulo, contendo a imagem pensativa de Escobar, que capturou a atenção do público.

A influência midiática e a ressignificação de um criminoso

O cantor de 25 anos não esconde sua admiração pelo narcotraficante, que faleceu mais de sete anos antes de seu nascimento. Em sua foto do canal no YouTube, Ryan aparece ostentando o colar, evidenciando uma conexão pública com a figura controversa. Esse fascínio pode ser atribuído, em parte, à popularização do gênero true crime, que explora crimes e criminosos reais.

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Nos últimos 15 anos, Pablo Escobar serviu como inspiração para diversos filmes e documentários sobre seu império como fundador do cartel de Medellín. A série "Narcos", lançada em 2015, desempenhou um papel crucial nesse processo, especialmente no Brasil, onde o ator Wagner Moura interpretou o traficante. Moura ganhou peso, aprendeu espanhol e se tornou um meme com seu bigode e penteado característicos.

Na época do lançamento, era raro encontrar alguém que não conhecesse a expressão "plata o plomo", o famoso bordão usado por Escobar para indicar que poderia conseguir o que queria por meio de suborno (a "prata") ou violência (o "chumbo"). Essa representação midiática ajudou a ressuscitar a figura do criminoso no imaginário popular, transformando-o em um sinônimo de sucesso, ostentação e poder, semelhante à maneira como Vito Corleone, de "O Poderoso Chefão", permanece relevante.

A presença de Escobar na música brasileira atual

MC Ryan SP participou de pelo menos três músicas que fazem referência a Pablo Escobar, refletindo uma tendência no funk e em outros gêneros. A canção "Festa Linda", de MC Kapela, que acumula 24 milhões de visualizações no YouTube, celebra um estilo de vida livre e determinado, comparado ao do traficante.

O maior sucesso entre as homenagens é o hit "Cartel do 900", com mais de 146 milhões de visualizações, que exalta possuir um carro como o de Escobar e ser perigoso como ele. Outras músicas, como "A la Pablo" de MC PP da VS, "Tipo Pablo" de MC Kevin e "Igual Pablo Escobar" de MC IG (com participação de Ryan SP), oferecem tributos mais diretos, consolidando a imagem do colombiano como um ícone cultural.

Curiosamente, oito das dez músicas mais ouvidas no Brasil atualmente contam com artistas de produtoras investigadas pela Polícia Federal, indicando uma interseção entre a cultura musical e as investigações criminais. Esse cenário levanta questões sobre a glamorização de figuras criminosas e seu impacto na sociedade.

O fascínio por Pablo Escobar, portanto, não é um fenômeno isolado, mas parte de uma narrativa mais ampla que mistura entretenimento, história e uma certa romantização do crime. Enquanto as operações policiais buscam combater organizações criminosas, a cultura popular continua a celebrar símbolos associados a elas, criando um paradoxo que desafia a moralidade e reflete as complexidades da identidade brasileira contemporânea.

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