O ex-lateral-esquerdo Guilherme Siqueira, que brilhou no futebol europeu, abriu o jogo em uma entrevista reveladora. Ele falou sobre a sólida amizade com Filipe Luís, atual técnico do Flamengo, um vínculo que começou no futsal catarinense e se fortaleceu nos gramados da Europa. Além disso, Siqueira compartilhou os altos e baixos de sua carreira no exterior e confessou um sonho que a lesão impediu: jogar no Brasil.
Uma amizade forjada no futebol e consolidada na Europa
A história entre Guilherme Siqueira e Filipe Luís começou muito cedo, quando ambos tinham apenas 10 anos de idade, nas quadras de futsal. Naturalmente, o caminho os levou a dividir o vestiário nas categorias de base do Figueirense. Porém, foi no Velho Continente que essa parceria se transformou em uma amizade para a vida toda.
Siqueira relembra que chegou a substituir Filipe Luís no Chelsea e, posteriormente, foram companheiros no Atlético de Madrid. A conexão é tão forte que, em 2019, já aposentado, o ex-jogador foi peça-chave na negociação que trouxe o conterrâneo para o Flamengo. "Vendo o quão vitorioso ele foi dentro do clube, eu que sou amigo dele, é um motivo de orgulho", afirmou Siqueira.
Ele acompanhou de longe a recente renovação do contrato de Filipe Luís com o Rubro-Negro, que se estende até 2027. Para Siqueira, o final feliz prepara o amigo para voos ainda mais altos. "Eu estou muito otimista e curioso para ver até onde isso vai chegar", analisou, destacando a ambição constante do técnico.
O futuro na Europa e a sombra de Simeone
Questionado sobre os próximos passos na carreira de Filipe Luís, Guilherme Siqueira não hesita em apontar a Europa como um destino natural. Ele vai além e especula sobre um futuro emocionante: Filipe Luís como sucessor de Diego Simeone no Atlético de Madrid.
"É engraçado: o Filipe renovou até 2027 e o Simeone também. Parece algo casado, sabe?", brincou Siqueira. "Acho que o clube que deu realmente tudo ao Filipe é o Atlético. Tenho certeza que, se aparecer a oportunidade, o coração vai falar mais alto. Seria uma história tão bela quanto está sendo essa com o Flamengo", completou, vislumbrando um retorno épico ao clube espanhol.
Carreira precoce, desafios e o sonho brasileiro adiado
A trajetória profissional de Guilherme Siqueira começou de maneira acelerada. Antes mesmo de completar 18 anos, ele já tinha acerto com a Internazionale de Milão. A adaptação à Itália, porém, foi um processo solitário e desafiador. "Chorei, senti saudade, mas a gente tem que passar por essas abdicações", relembrou sobre a mudança.
Após passagens por Inter, Lazio e uma sequência na Udinese, foi na Espanha que ele realmente consolidou sua carreira, defendendo Granada, Atlético de Madrid e Valencia. Um capítulo quase escrito foi a ida para o Real Madrid, que acabou não se concretizando por questões burocráticas, um fato que o marcou. "Essa situação do Real mexeu muito comigo", admitiu.
Em seus anos na La Liga, entre 2010 e 2017, Siqueira enfrentou os maiores craques da era. Ele destacou a dificuldade em marcar astros como Lionel Messi, Gareth Bale e Ángel Di María, colocando também o Neymar do Barcelona em um patamar espetacular.
Porém, um desejo persistia: atuar no futebol brasileiro. Siqueira deixou o país muito jovem e alimentava o sonho de voltar para jogar profissionalmente em casa. No entanto, uma lesão cruel interrompeu seus planos. Aos 30 anos, preparando seu retorno, descobriu que não tinha mais cartilagem no tornozelo.
"Tinha vontade de vir ao Brasil, jogar profissionalmente no Brasil. Não pude realizar esse sonho", declarou, com um misto de resignação e gratidão. Ele revelou que gigantes como Flamengo, Palmeiras e Athletico-PR demonstraram interesse, e o Corinthians chegou a apresentar uma proposta. No entanto, a condição física severa o impediu de seguir adiante com as conversas. "Sempre deixei claro para eles que eu estava muito mal do meu tornozelo", finalizou, encerrando o capítulo de uma carreira que, apesar do fim precoce, o levou a lugares inimagináveis.



