10 anos sem Shaolin: a trajetória, o acidente e o legado do humorista paraibano
10 anos da morte do humorista Shaolin: relembre trajetória

O dia 14 de janeiro de 2026 marca uma década da perda de um dos nomes mais carismáticos do humor brasileiro. Francisco Josenilton Veloso, o Shaolin, faleceu em 2016, aos 44 anos, deixando um vazio no cenário artístico e na memória afetiva de milhões de brasileiros. Nesta reportagem, o g1 relembra a vida, a carreira brilhante, o trágico acidente e a longa batalha travada pelo artista paraibano.

Da Paraíba para o Brasil: a irreverência que conquistou o país

Natural da Paraíba, Shaolin ficou nacionalmente conhecido por seu humor único e inconfundível. Sua especialidade era a arte da imitação, talento que usava para arrancar gargalhadas do público e de colegas de profissão. Com uma presença de marca em programas de grande audiência, como o Domingão do Faustão, ele se tornou uma figura querida e inspiradora.

O carisma de Shaolin extrapolava os palcos e estúdios de TV. Ele cultivou amizades sólidas com diversos nomes da classe artística, incluindo o também humorista Tom Cavalcanti, a apresentadora Ana Hickmann e os cantores Leonardo e Joelma, a quem imitava com maestria em seus shows. Sua capacidade de fazer rir era, também, uma ferramenta de conexão humana.

O trágico acidente e a longa luta pela vida

A vida do humorista mudou drasticamente na noite de 18 de janeiro de 2011, em Campina Grande. Na época com 39 anos, Shaolin dirigia um veículo modelo Pajero pela BR-230, por volta das 23h30, quando foi surpreendido por um grave acidente.

Um caminhão que manobrava no acostamento atingiu a lateral do carro do artista, fazendo com que o veículo capotasse e saísse da pista. Shaolin viajava para cumprir uma agenda de shows quando a tragédia aconteceu.

O socorro foi imediato. Ele foi levado primeiro ao Hospital Regional de Campina Grande e, em seguida, transferido para o Hospital Antônio Targino. Os diagnósticos foram graves: traumatismo craniano e um ferimento sério no braço. O acidente o lançou em um coma do qual nunca se recuperaria totalmente.

Nos cinco anos seguintes, Shaolin travou uma batalha diária e comovente pela vida. Em estado de coma, sua interação com a família e o mundo exterior se dava apenas por meio de expressões faciais e do olhar. Mesmo diante das enormes limitações, ele se manteve consciente e demonstrava esforço para se comunicar durante todo o tratamento, que passou a ser realizado em sua própria casa.

A batalha, no entanto, chegou ao fim em 14 de janeiro de 2016. Após complicações no quadro de saúde, os médicos identificaram uma infecção pulmonar que se agravou rapidamente, levando ao falecimento do humorista.

O legado que permanece: família, amigos e inspiração

Shaolin não partiu sem deixar um importante legado artístico e familiar. Seu filho, Lucas Veloso, decidiu seguir os passos do pai no mundo do entretenimento. Desde a adolescência envolvido com produções audiovisuais, Lucas hoje atua como ator, humorista e influenciador digital, frequentemente homenageando a figura paterna em suas redes sociais e mantendo viva a memória de seu trabalho.

A lembrança de Shaolin também é perpetuada por aqueles que com ele conviveram. O humorista Nairon Barreto, o Zé Lezin, em depoimento à Rede Paraíba de Comunicação, resumiu o colega em uma frase: "Fácil de se amar". Ele destacou a excelência profissional e a generosidade de Shaolin. "Como profissional e artista, (ele era) irretocável. Como amigo, um cara que tinha um coração daquele tamanho, sempre foi um cara de ajudar as pessoas", afirmou Zé Lezin, reforçando o carinho e o respeito que o paraibano conquistou.

Mais do que um conjunto de piadas e imitações, a história de Shaolin é um testemunho de talento, resiliência e do poder do humor em tocar pessoas. Uma década após sua morte, seu riso e sua luta continuam a ecoar, inspirando novas gerações e sendo lembrados com carinho por um país que soube rir com ele.