Festa da Penha 2026: fé que movimenta economia e transforma rotina de empreendedores
Quando a Festa da Penha tem início, centenas de empreendedores e comerciantes de Vila Velha, na Grande Vitória, iniciam também os preparativos para atender aos milhares de devotos e romeiros que tomam as ruas da cidade durante os festejos tradicionais em homenagem à padroeira do Espírito Santo. Em 2026, a previsão dos organizadores é de que mais de 2,5 milhões de pessoas participem ao longo dos nove dias de programação, o que consolida a celebração de Nossa Senhora da Penha como a terceira maior festa mariana do país.
Preparação intensa na região da Prainha
A região da Prainha, onde está localizado o Convento da Penha – em um morro com mais de 150 metros de altura –, é um dos principais pontos turísticos do estado e concentra a maior parte da programação. No bairro, restaurantes e cafeterias reforçam os estoques para o período, cardápios são adaptados para refeições rápidas, ambulantes organizam escalas e pontos de venda, e hospedagens abrem as portas para receber fiéis capixabas e também de outros estados.
Para quem empreende, a celebração vai além da fé, representando a melhor oportunidade do ano para aumentar as vendas, conquistar novos clientes e dar visibilidade ao negócio. A expectativa da Prefeitura de Vila Velha é de crescimento na movimentação econômica em 2026, acompanhando o aumento no número de visitantes e a ampliação da estrutura do evento.
Impacto econômico significativo
A rede hoteleira deve ultrapassar 80% de ocupação, com índices ainda mais altos nos dias de maior público, como no sábado (11), quando acontece a Romaria dos Homens. A previsão é de aumento médio de 30% nas vendas do comércio da cidade durante o período da festa. Além disso, espera-se a criação de, pelo menos, 200 empregos temporários.
A chegada de excursões organizadas deve superar os mais de 130 ônibus contabilizados no ano passado, com turistas do interior e de estados como Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia. Recentemente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou uma lei reconhecendo a Festa da Penha como manifestação da cultura nacional, reforçando sua importância histórica e cultural.
Estratégias de empreendedores locais
Depois de um primeiro ano de resultados positivos, a doceira Laiz Santos chega à Festa da Penha de 2026 com planos de expansão e novas estratégias para aproveitar o aumento no fluxo de visitantes na Prainha. “Ano passado foi realmente muito bom, foi o primeiro ano em que participei de forma mais estruturada. Para este ano, decidi ampliar a operação”, contou.
Conhecida pelos doces, Laiz também vai apostar em novidades no cardápio, incluindo opções salgadas, adaptando a oferta aos diferentes momentos do dia e ao perfil dos visitantes. “De manhã até o horário do almoço, vamos trabalhar com café e salgados, como pão de queijo. À noite, a proposta é ter opções de saída rápida, como cachorro-quente e baguete”, explicou.
Valorização das origens e produção local
Proprietária de uma cafeteria próxima ao Convento da Penha, Valéria Falchetto viu na festa uma oportunidade desde o início do negócio, inaugurado há quatro anos. Atenta ao público que, muitas vezes, está de passagem, a comerciante apostou na praticidade, criando três opções de combos com produtos já presentes no cardápio.
A proposta da cafeteria é manter um cardápio que valorize a produção local e as raízes da proprietária, descendente de italianos, com família em Venda Nova do Imigrante, na Região Serrana do estado. Entre os destaques estão a polenta na chapa, o socol (embutido típico da região) e a puína, uma ricota fresca feita no próprio local.
Turismo religioso como vetor econômico
Para a analista do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Renata Bromonschenkel, o potencial da festa da padroeira como vetor econômico tem sido cada vez mais explorado e passou a ser tratado de forma mais estratégica a partir de 2025. “As pessoas precisam entender que o turismo religioso é uma oportunidade de negócio. Não é só tradição, é história, cultura e é potencial para os turistas”, afirmou.
Uma das ações foi a realização de um famtour, que trouxe operadoras e agências de diferentes estados para vivenciar a festa. A iniciativa ajudou a estruturar, pela primeira vez, pacotes turísticos voltados especificamente para esse público. Além da programação religiosa, os roteiros passaram a incluir experiências culturais e gastronômicas, ampliando o tempo de permanência dos visitantes.
Mudança no perfil dos visitantes
Carla Rezende, proprietária de um hostel na Prainha, em Vila Velha, está animada com a chegada do evento. Inicialmente, o público que recebia durante a Festa da Penha era, em sua maioria, composto por voluntários e trabalhadores, mas, aos poucos, o cenário começou a mudar. “Esse ano, mais de um mês antes da festa começar, recebemos reservas, inclusive de famílias do Rio de Janeiro e de Minas Gerais”, falou.
Há seis anos, desde que abriu o estabelecimento, o hostel vem sendo adaptado e ampliado. Atualmente, são sete quartos, entre compartilhados e privativos, além de cozinha e área comum. “A Prainha passou por uma revitalização e vem se transformando nos últimos anos. Estar perto do Convento da Penha é um privilégio e convida o público a ficar por aqui”, disse a anfitriã.
Perfil dos visitantes e alta aprovação
Uma pesquisa realizada pelo Sebrae em 2025 traçou o perfil dos visitantes da Festa da Penha, especialmente dos turistas de fora da Grande Vitória. O público é majoritariamente feminino (70,4%) e, em sua maioria, formado por pessoas com mais de 40 anos (63,3%). Em termos de comportamento de consumo, a maior parte dos visitantes gasta até R$ 200 durante o evento, principalmente com alimentação, bebidas e transporte.
Com alta aprovação do público, mais de 95% recomendam o evento e 98% pretendem voltar, a Festa da Penha segue fortalecendo não apenas a fé, mas também o turismo e a economia local. Para quem empreende, o recado é claro: mais do que um evento religioso, a festa se consolida como uma vitrine para novos negócios e um impulso para quem aposta no potencial do Espírito Santo.



