Império da Zona Norte finaliza preparativos para desfile na Ivaldo Veras
A escola de samba Império da Zona Norte está realizando os últimos ajustes para sua apresentação no Carnaval de 2026, que acontece no sambódromo Ivaldo Veras, em Macapá. Com um enredo provocativo, a agremiação traz para a avenida um tema que tem dominado o debate político na região amazônica: a exploração de petróleo no Amapá.
Enredo reflete sobre preservação e progresso na Amazônia
Intitulado “Amazonas: o que diz a tua foz? Da preservação ao progresso”, o enredo busca estimular uma reflexão profunda sobre os desafios de conciliar desenvolvimento econômico e conservação ambiental. A proposta narrativa percorre o Rio Amazonas desde a foz até a nascente, enfatizando sua grandiosidade natural, importância ecológica e riqueza cultural para toda a região, com foco especial no estado do Amapá.
O carnavalesco Willian Matos destaca que a abordagem é ousada, pois defende que o Amapá pode se manter como o estado mais preservado da Amazônia Legal, mesmo diante da exploração petrolífera. “Não é só progresso, mas também a preservação. Então queremos fazer essa leitura e trazer para avenida esse consentimento. É um recado para o mundo que nós conseguimos fazer as duas coisas”, afirmou Matos.
Produção envolve artistas e comunidade local
A produção das alegorias e adereços começou em outubro do ano passado, no barracão da escola, e conta com a participação ativa de artistas de Parintins, no Amazonas, conhecidos por sua expertise em festivais folclóricos. A escola desfila no sábado, 14 de fevereiro, às 21h25, prometendo um espetáculo que mistura a tradição carnavalesca da Zona Norte de Macapá com arte, identidade regional e consciência social.
História e tradição da agremiação
Fundada em 1980, a Império da Zona Norte é uma das escolas de samba mais tradicionais do carnaval amapaense, nascida da força comunitária de moradores da zona norte de Macapá. Sua criação foi impulsionada por entusiastas do carnaval, como o Rei Momo Sucuriju, Dani e Elba, que já tinham experiência em outras agremiações, como a Boêmios do Laguinho.
A escola tem um histórico de valorização da identidade amazônica e amapaense em seus enredos. Um exemplo marcante foi em 2020, quando apresentou o tema “Meu jeito tucuju”, uma homenagem à cultura local e a artistas como Val Milhomem e Joãozinho Gomes.
O desfile de 2026 promete não apenas entretenimento, mas também um debate necessário sobre o futuro da Amazônia, equilibrando tradição carnavalesca com questões contemporâneas urgentes.
