O Palmeiras confirmou oficialmente nesta segunda-feira, 30 de março de 2026, que dará início aos procedimentos junto à Fifa para solicitar a indenização prevista no Programa de Proteção de Clubes da entidade máxima do futebol mundial. A medida ocorre após a confirmação da gravidade da lesão sofrida pelo lateral-esquerdo Joaquín Piquerez durante sua atuação pela seleção uruguaia na última Data Fifa do mês.
O incidente em Wembley
O revés aconteceu na sexta-feira, 27 de março, durante o amistoso internacional entre Uruguai e Inglaterra, disputado no tradicional estádio de Wembley, em Londres. Nos minutos iniciais da partida, Piquerez saiu machucado após uma entrada dura do atacante inglês Madueke, que prendeu o tornozelo direito do uruguaio ao gramado em um movimento de torção particularmente acentuado.
O atleta foi retirado de campo imediatamente, demonstrando fortes dores e incapacidade de continuar a partida. O incidente interrompeu momentaneamente o jogo e gerou preocupação tanto da comissão técnica uruguaia quanto dos dirigentes do Palmeiras, que acompanhavam a partida à distância.
Diagnóstico e consequências
De volta ao Brasil, os exames realizados pelo Núcleo de Saúde e Performance (NSP) do clube paulista confirmaram o pior cenário possível: ruptura ligamentar no tornozelo direito do atleta. Uma cirurgia reparadora já está prevista para os próximos dias, iniciando um longo processo de reabilitação que coloca em risco significativo a presença do jogador na Copa do Mundo de 2026, cujo início está programado para pouco mais de dois meses.
Diante deste cenário desfavorável, o departamento jurídico do Verdão não perdeu tempo e já iniciou os trâmites para acionar a Fifa, pleiteando a compensação financeira cabível conforme as regras estabelecidas pela entidade.
Como funciona o programa de proteção
O Programa de Proteção de Clubes da Fifa prevê o pagamento dos salários fixos de jogadores que se lesionam a serviço de suas seleções nacionais em datas oficiais do calendário internacional, desde que o período de afastamento supere 28 dias consecutivos. A cobertura é proporcional ao salário fixo do atleta — respeitando um teto anual de aproximadamente 7,5 milhões de euros — e se encerra no momento em que o jogador recebe alta médica para retomar os treinamentos com normalidade.
A compensação financeira, ainda que bem-vinda para aliviar a folha salarial do clube em um momento de ausência prolongada de um atleta de alto custo, não apaga o prejuízo esportivo considerável: o Palmeiras perde um de seus pilares defensivos em momento decisivo da temporada 2026.
Alternativas para o elenco
Para suprir a ausência de Piquerez, que se tornou peça fundamental no esquema tático do técnico Abel Ferreira, a comissão técnica alviverde deverá recorrer a opções já disponíveis no elenco. As principais alternativas são:
- Jefté: lateral recentemente contratado com perfil ofensivo similar ao do uruguaio, que vem se adaptando ao clube
- Arthur: jovem promessa da Academia do Palmeiras que vem ganhando espaço nas categorias de base e pode representar uma solução para manter o equilíbrio defensivo da equipe
A primeira oportunidade para testar essas alternativas em caráter oficial será já nesta quinta-feira, 3 de abril, quando o Palmeiras enfrenta o Grêmio pelo Campeonato Brasileiro — partida que deve marcar o início da era pós-Piquerez no time, enquanto o clube aguarda pacientemente a reabilitação completa do camisa 22.
O caso de Piquerez reacende o debate sobre a proteção aos clubes que cedem seus atletas para seleções nacionais, especialmente em um contexto onde as lesões em datas Fifa podem comprometer temporadas inteiras de investimento e planejamento esportivo. Enquanto o processo de indenização segue seu curso burocrático, o Palmeiras precisa se reorganizar rapidamente para não comprometer seus objetivos na temporada.



