O Corinthians estabeleceu um grande objetivo para a temporada: reduzir em aproximadamente 30% os custos do departamento de futebol, mantendo a competitividade esportiva. A diretoria do clube vê no novo executivo de futebol, Marcelo Paz, um dos principais trunfos para alcançar essa meta ambiciosa.
Gestão enxuta: a filosofia de Marcelo Paz
Durante o processo de seleção, Marcelo Paz foi o dirigente com o discurso mais alinhado ao plano do presidente Osmar Stábile de enxugar as contas sem prejudicar o desempenho em campo. O Corinthians também conversou com Bruno Spindel, hoje no Cruzeiro, mas algumas de suas sugestões, como a contratação do volante Gerson, foram vistas internamente como desconectadas da realidade financeira projetada para 2026.
Em contraste, a postura discreta e realista de Paz durante as conversas foi considerada um diferencial importante. A direção entende que seu perfil se alinha melhor ao objetivo de montar um elenco competitivo com recursos mais limitados, focando em contratações pontuais e menos onerosas.
Perfil estratégico e poder de articulação
Osmar Stábile acredita que, se Marcelo Paz atuar no mercado de transferências da mesma forma que conduziu sua própria negociação com o clube – evitando vazamentos e mantendo discrição –, o Corinthians estará no caminho certo. Outro ponto que pesou a favor foi sua atuação à frente da Liga Forte União (LFU), que demonstrou capacidade de conciliação e firmeza.
Além disso, a forma como Paz montou o elenco do Fortaleza nos últimos anos é bem avaliada. A leitura interna é que o Timão precisará apostar em contratações menos midiáticas, porém mais eficientes, com bom custo-benefício para preencher lacunas do elenco. Paz atuará diretamente com a diretoria e a comissão financeira, funcionando como um elo entre as áreas esportiva e financeira.
Corrida contra o tempo para derrubar o transfer ban
Paralelamente à reorganização do departamento, o Corinthians trabalha para derrubar o transfer ban que impede o registro de novos jogadores desde agosto. Sem reverter essa sanção, o clube segue de mãos atadas no mercado.
Nos últimos dias, o Timão resolveu uma pendência com o meia Matías Rojas, que poderia gerar um novo bloqueio a partir de novembro. O acordo foi amigável: o Corinthians pagou R$ 20,5 milhões e se comprometeu a depositar uma segunda parcela de mesmo valor até o fim de janeiro, obtendo um desconto de cerca de R$ 6 milhões em multas.
Agora, a diretoria concentra esforços para resolver a situação com o Santos Laguna, do México, que cobra aproximadamente R$ 40 milhões por parcelas não pagas na compra do zagueiro Félix Torres, realizada no início de 2024. A resolução deste caso é crucial para liberar o clube no mercado.
Enquanto isso, em um paralelo do mercado, o Flamengo monitora atacantes brasileiros como 'Plano B' para Kaio Jorge, tendo aparecido no radar inicialmente Marcos Leonardo, que vê com bons olhos um retorno ao Brasil.